WEC adota estratégia de “caixa-preta” para o BoP em 2026
O Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) implementa uma mudança significativa na transparência de suas operações técnicas. Bruno Famin, o novo vice-diretor de competição da ACO, defendeu nesta quinta-feira, 16, a decisão de manter as tabelas do Balance of Performance (BoP) fora do domínio público. Segundo o executivo, a medida estabelece uma abordagem de “caixa-preta” para evitar interpretações equivocadas e desencorajar estratégias desleais entre as fabricantes.
O fim da divulgação pública dos dados
Embora o regulamento já proibisse críticas públicas ao BoP, os números exatos eram acessíveis aos fãs e à imprensa até a temporada passada. Agora, a FIA e a ACO compartilham as especificações de cada hipercarro apenas com os competidores, sob estrita confidencialidade.
Famin, que assumiu o cargo após chefiar a divisão de automobilismo da Alpine, justifica que a divulgação de tabelas isoladas gera confusão. Ele explica que observadores externos não possuem os parâmetros de homologação — os dados básicos de cada carro obtidos em túnel de vento —, o que torna impossível uma análise precisa das correções aplicadas em cada etapa.
Por que os números agora são sigilosos?
A complexidade do sistema é o principal argumento da organização. Famin destaca pontos fundamentais para essa mudança:
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Evita mal-entendidos: Sem o contexto técnico, mudanças de peso ou potência podem parecer arbitrárias para o público.
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Proteção de dados: Os parâmetros redefinidos no túnel de vento Windshear permanecem em sigilo por questões de confidencialidade industrial.
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Fim do “Sandbagging”: A ocultação do funcionamento do BoP para as 24 Horas de Le Mans visa impedir que equipes reduzam o desempenho propositalmente em Imola ou Spa para obter vantagens na França.
O funcionamento do BoP para 2026
Apesar do mistério sobre os números, a mecânica do sistema permanece fiel às bases de 2025. O cálculo utiliza uma média móvel de resultados anteriores para equilibrar o grid. No caso de estreantes, como a Genesis com o modelo GMR-001, o BoP inicial toma como referência o carro mais rápido da categoria até que o novo protótipo acumule dados próprios suficientes.
Além disso, Famin confirmou que a introdução da nova gama de pneus Michelin e as atualizações de homologação não invalidam o histórico da temporada passada. De acordo com o diretor, os regulamentos rigorosos garantem que a base de dados de 2025 ainda seja relevante para as competições atuais.
Handicaps de sucesso descartados
Embora o regulamento preveja a possibilidade de handicaps de sucesso (lastro por vitórias), a ACO optou por não utilizá-los no momento. Famin argumenta que o BoP já possui camadas complexas o suficiente. Em um campeonato com apenas oito etapas, a adição de um terceiro nível de punição poderia tornar a competição injusta e prejudicar o equilíbrio esportivo.
Com essa postura, o WEC prioriza a estabilidade técnica e o sigilo estratégico, enquanto as equipes se preparam para os desafios de Imola e a icônica prova de Le Mans.
