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McLaren inicia próxima fase de testes do MCL-HY

A McLaren Endurance Racing avança a passos firmes na preparação de seu novo programa esportivo. James Barclay, diretor executivo da divisão, confirmou que a fabricante britânica está pronta para dar início à “próxima fase” de desenvolvimento em pista do MCL-HY, o aguardado protótipo baseado na regulamentação LMDh.

Após a conclusão bem-sucedida de um primeiro ensaio de dois dias em Varano, realizado entre 4 e 5 de maio, o foco da equipe se volta agora para os circuitos de grande porte. De acordo com o cronograma oficial, o primeiro teste completo do modelo ocorrerá em Imola, na Itália, ainda no final deste mês. Posteriormente, o carro passará por uma extensa série de exibições e sessões preparatórias por toda a Europa. Além disso, existe a firme intenção de estender os trabalhos para o Oriente Médio no final deste ano.

Planejamento estruturado e circuitos estratégicos

Durante as 6 Horas de Spa-Francorchamps, Barclay conversou com a imprensa e detalhou a estratégia da McLaren. Segundo o executivo, o calendário de pista para esta temporada encontra-se totalmente fechado e reservado. A escolha dos locais combina pistas presentes no atual calendário do Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) com autódromos que, embora fiquem fora do campeonato, oferecem excelentes condições técnicas de simulação.

Ademais, o dirigente citou o Autódromo Internacional do Algarve como uma peça-chave nesta jornada. “Portimão é um ótimo exemplo. Testaremos em Portimão porque as características daquela pista são realmente úteis para nós, independentemente de o circuito integrar ou não o calendário oficial”, explicou Barclay, ao destacar a busca por máxima eficiência técnica.

Foco inicial no estresse mecânico e transição para longa duração

A princípio, a metodologia de trabalho prioriza a segurança estrutural e a confiabilidade dos componentes. Desse modo, as atividades imediatas se concentrarão em sessões diárias únicas, com o objetivo claro de submeter o bólido ao limite do estresse mecânico. Somente após a consolidação desta etapa preliminar e do pleno conforto da engenharia, o projeto migrará para simulações completas de longa duração.

A pressa em iniciar os testes de longa permanência justifica-se pela necessidade de identificar falhas prematuras. Afinal, a história do esporte mostra que problemas complexos surgem apenas após horas consecutivas de rodagem. Nas palavras do próprio diretor: “É ótimo ter eficácia e rapidez durante 22 horas, mas, se o carro falhar na 23ª ou na 24ª hora, todo o esforço perde o sentido. Por essa razão, queremos alcançar esse nível de exigência o mais rápido possível”.

“Ainda temos um longo caminho pela frente. O primeiro passo foi positivo, mas não nos iludimos: haverá desafios pelo caminho. É exatamente assim que funciona o processo de desenvolvimento.” — James Barclay, Diretor Executivo da McLaren Endurance Racing

Formação da McLaren aposta na juventude

Paralelamente ao desenvolvimento dinâmico do MCL-HY, a estruturação interna da equipe avança com rapidez. A parceira operacional United Autosports já recrutou a maior parte de seu corpo técnico. Restam apenas algumas posições em aberto na área de engenharia de corrida, com previsão de preenchimento ainda este mês. No total, a operação contará com pouco menos de 100 funcionários dedicados ao projeto.

Além disso, no diz respeito aos pilotos, Mikkel Jensen e o recém-confirmado Laurens Vanthoor lideram os trabalhos em pista e são os únicos nomes garantidos para a temporada de estreia em 2027. No entanto, por questões contratuais de atletas experientes da classe Hypercar, a McLaren adotará uma abordagem mista durante a fase de testes. A fabricante integrará o veterano Ben Hanley e dois jovens talentos do seu Programa de Desenvolvimento de Pilotos: Gregoire Saucy e Richard Verschoor.

Inquestionavelmente, essa estratégia atende tanto às necessidades imediatas de engenharia quanto ao planejamento de longo prazo da marca no automobilismo de resistência. Quando questionado sobre a possibilidade de esses jovens conquistarem uma vaga de titular no próximo ano, Barclay manteve a cautela, mas deixou as portas abertas. “É muito cedo para uma definição. O fato de testarem o carro conosco representa a melhor oportunidade possível. No momento, o foco total reside no programa de testes, e as decisões finais sobre os titulares ocorrerão de forma natural ao longo de todo este processo”, concluiu o executivo.