Genesis não utilizará Evo Jokers no WEC e prioriza o desenvolvimento do GMR-001
A Genesis Magma Racing não pretende acelerar o uso dos curingas Evo disponíveis para o desenvolvimento de seu Hypercar no Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC). Segundo o engenheiro-chefe da equipe, Justin Taylor, a fabricante sul-coreana prioriza a compreensão completa do desempenho do Genesis GMR-001 antes de implementar qualquer atualização significativa.
O regulamento do WEC permite que cada fabricante de Hypercar utilize até cinco curingas Evo para modificar áreas específicas do carro durante o atual ciclo técnico, válido até o fim de 2027. Entretanto, como a Genesis estreou apenas nesta temporada, a equipe dispõe de um período consideravelmente menor para aproveitar esses recursos.
De acordo com Taylor, a equipe não pretende utilizar os curingas apenas para evitar que eles expirem.
“Neste momento, ainda avaliamos o pacote atual para tomar decisões sobre o futuro, portanto estamos longe de definir quantos curingas utilizaremos”, afirmou Taylor ao sire Sportscar365.
O engenheiro ressaltou que a equipe possui diversas oportunidades de evolução, mas destacou que qualquer atualização precisa gerar ganhos concretos.
“Sabemos que temos vários curingas disponíveis ao longo de dois anos. No entanto, se decidirmos utilizá-los, eles precisam realmente valer a pena.”
Taylor explicou que a Genesis busca evitar decisões precipitadas.
“Não considero isso uma desvantagem, mas precisamos garantir que não nos sintamos obrigados a desenvolver um Evo apenas porque temos esses recursos disponíveis.”
Segundo ele, o programa de desenvolvimento ainda exige mais tempo de pista.
“Precisamos entender completamente o carro antes de seguir por esse caminho. Ainda não chegamos a esse ponto e precisamos disputar mais corridas.”
Além disso, Taylor revelou que algumas conclusões obtidas durante as provas diferiram das expectativas iniciais da equipe, fator que influencia diretamente qualquer decisão sobre futuras atualizações.
Mudanças no calendário complicaram planejamento
O adiamento da etapa de abertura da temporada, originalmente marcada para o Catar em março, devido ao conflito no Oriente Médio, também afetou o cronograma da Genesis. Posteriormente, a prova foi substituída por uma etapa em Barcelona, prevista para outubro.
Segundo Taylor, a corrida de dez horas no Catar teria fornecido uma quantidade valiosa de dados logo no início do programa.
“Teria sido excelente contar com essa amostra logo no começo do projeto.”
Por isso, o engenheiro acredita que somente após a disputa da Lone Star Le Mans, no Circuito das Américas, em setembro, a equipe conseguirá elaborar um plano mais consistente para a utilização dos curingas Evo.
Genesis aposta na evolução antes das atualizações
A mesma visão é compartilhada pelo diretor técnico da Genesis, François-Xavier Demaison, que defende uma abordagem baseada em aprendizado contínuo.
Segundo o dirigente, o primeiro ano do projeto serve para compreender completamente o comportamento do carro antes da introdução de grandes mudanças.
“Para desenvolver o carro, primeiro precisamos adquirir experiência, aprender e entender qual direção seguir. Caso contrário, já teríamos feito todas as modificações imediatamente.”
Demaison afirmou que a temporada atual representa uma fase de aprendizado.
“Este ano serve para entendermos tudo o que o carro oferece. Depois identificaremos exatamente o que precisa ser melhorado. No próximo ano ainda teremos cartas na manga.”
O diretor técnico também destacou que diversas áreas podem evoluir sem consumir qualquer curinga Evo.
“Existe muito potencial na gestão de energia e na gestão do motor, e essas melhorias não exigem o uso dos curingas.”
Sistemas eletrônicos surpreendem Genesis
Taylor também admitiu que uma das maiores surpresas da temporada foi o avanço dos sistemas eletrônicos utilizados pelos concorrentes do WEC.
Depois de deixar o programa do Cadillac V-Series.R para integrar a Genesis, o engenheiro percebeu uma evolução significativa nesse aspecto.
“Fiquei apenas um ano afastado da categoria e foi suficiente para perceber o quanto os sistemas evoluíram. Isso mostra que ainda temos muito a aprender.”
Apesar do desafio, Taylor acredita que a equipe reduzirá a diferença para os adversários ao longo da temporada.
“Trabalhamos intensamente para alcançar os outros fabricantes. Isso não acontecerá em uma, duas ou três corridas, mas esperamos terminar o ano em um nível bastante próximo das equipes rivais.”
Primeira temporada apresenta evolução constante
Mesmo sem lutar pelas primeiras posições, a temporada inaugural da Genesis no WEC tem apresentado sinais claros de progresso.
Até o momento, o melhor resultado da equipe foi um oitavo lugar, além de um marco importante durante a etapa de São Paulo, quando o fabricante liderou uma sessão de treinos livres pela primeira vez.
Com uma estratégia baseada em desenvolvimento gradual e decisões técnicas criteriosas. A Genesis busca consolidar seu projeto antes de utilizar os valiosos curingas Evo disponíveis no regulamento do Campeonato Mundial de Endurance.