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Ferrari vence as 6 Horas de Austin do WEC após quebra da Toyota

Para se ter uma boa prova de automobilismo, é necessária a soma de algumas características: um bom regulamento, equipes competitivas, pilotos motivados e uma pista que exija o melhor dos itens anteriores. Dessa equação, o ponto destoante é justamente o traçado. Criticado por muitos, o Circuito das Américas muitas vezes é salvo pelos campeonatos que lá são disputados. Para os fãs do endurance, os melhores traçados são Sebring, Daytona, Road Atlanta e Road America. Mas, como o WEC está sob a tutela da FIA, é claro que um traçado projetado por Hermann Tilke teria a predileção, seja ele bom ou ruim. Porém, na tarde deste domingo, 06, a etapa do Mundial de Endurance provou que o circuito de Austin pode, sim, proporcionar boas provas.

Resultado final

A vitória quase certa do Toyota #7, dos pilotos Mike Conway, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries, acabou a poucos minutos do fim. De Vries, que estava no #7, enfrentou um problema hidráulico, deixando o caminho livre para a Ferrari #50, dos pilotos Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen. Se na Fórmula 1 a Ferrari é uma caixinha de surpresas, aqui a gestão é mais profissional. Claro que o time de Maranello não teve um carro para brigar pela vitória em ritmo normal. Mesmo marcando a pole com o #51, a Ferrari teve adversários de peso como Toyota, Cadillac, Aston Martin, BMW e Alpine. A sorte também escolhe os seus.

Toyota e o drama final

Tudo parecia perfeito para a equipe da Toyota #7, líder do campeonato da classe Hypercar. Porém, faltando 12 minutos, o carro precisou abandonar por problemas hidráulicos. A falha impediu De Vries, Mike Conway e Kamui Kobayashi de ampliarem sua pontuação no campeonato.

Com o resultado, a Ferrari #50 herdou a primeira posição, chegando à frente do Cadillac #38 do Team JOTA. O resultado marcou o primeiro triunfo da marca italiana na temporada. Entretanto, quando se trata de Ferrari, as coisas nunca são simples. Antonio Giovinazzi, que marcou a pole com a 499P #51, liderava a prova, que começou em condições de pista parcialmente seca e molhada. Assim, Giovinazzi abriu distância para o Cadillac #38 de Jack Aitken. A diferença não era grande devido ao desempenho dos líderes e ao tráfego da classe LMGT3.

Estratégias distintas

Para prevalecer em um campeonato tão disputado, é necessária uma estratégia diferenciada. Assim, a Ferrari #50 e a Toyota #8 optaram por um reabastecimento mais rápido. Com isso, os dois carros ampliaram suas vantagens frente aos demais da classe Hypercar.

Como as coisas nem sempre saem como esperado, o drama ferrarista assolou o #51, que teve dificuldades para ligar o carro durante a terceira hora de prova. A falha manteve o carro nos boxes por cerca de 30 minutos.

Quando tudo parecia calmo, um VSC foi acionado para a retirada de sujeira na pista. Nesse momento, a liderança estava com Earl Bamber, no Cadillac #38. Entretanto, na relargada, Bamber sofreu pressão do Alpine #35 de Antonio Félix da Costa, do Aston Martin #007 de Tom Gamble e do Toyota #7 de De Vries.

O Toyota #7 escalou o pelotão e abriu vantagem. Porém, a situação mudou quando o Alpine #36 chegou ao segundo lugar após sua parada para reabastecimento. Tudo ia bem até a equipe parar nos boxes duas voltas antes da segunda entrada do Safety Car, acionado após o Lexus #78 da Akkodis ASP perder o capô pela segunda vez.

Mais mudanças durante a prova

Em provas de longa duração, tudo pode acontecer. Com a intervenção do Safety Car, todas as equipes aproveitaram para realizar suas paradas. O único que seguiu na pista foi o Genesis #19, garantindo a quarta posição.

Na relargada, De Vries e Charles Milesi, no Alpine #35, foram superiores. Porém, o carro francês não conseguiu acompanhar o ritmo do Toyota #7. Pena que tudo terminou de forma dramática, faltando 12 minutos para o fim. Em termos de pontos, o BMW #20 enfrentou problemas e não pontuou, fechando em 12º lugar.

Para piorar (ou não) o dia da Alpine, Milesi perdeu a segunda posição para Nielsen, com a Ferrari #50. Assim, Nielsen, Molina e Fuoco seguiram em frente e conquistaram a vitória.

Juntando os cacos

Milesi ficou com o terceiro lugar, dividindo o protótipo com Antonio Félix da Costa e Ferdinand Habsburg. O Cadillac #38, que estava em segundo, recebeu acréscimo de cinco segundos por saída perigosa do pitstop.

O Aston Martin #007 de Tom Gamble e Harry Tincknell terminou em quarto. Victor Martins ficou em quinto com o outro Alpine. A Toyota #8 fechou os seis primeiros.

Para a Genesis, a prova foi celebrada: o sétimo lugar foi o melhor resultado até agora. O Peugeot #94 de Malthe Jakobsen não teve um bom final. O Cadillac #12 terminou em nono após ser penalizado em cinco segundos por vantagem indevida em pitstop.

Aston Martin vence na LMGT3

Aston Martin domina a classe LMGT3. (Foto: The Heart of Racing)

Na classe LMGT3, a vitória ficou com o Aston Martin da Heart of Racing. O trio Ian James, Zacharie e Mattia Drudi conquistou a primeira vitória da equipe na classe em dois anos.

O domínio começou no treino classificatório, com os dois carros da equipe largando na primeira fila. Entretanto, os Ford Mustang da Proton Competition assumiram a ponta no início da prova. A sorte não ajudou o fabricante americano: o Mustang #77 de Eric Powell foi punido durante uma FCY, e o #88 de Stefano Gattuso precisou de reparos após toque com o Corvette #34 da TF Sport.

A liderança também passou pelo Porsche 911 #91 da Manthey, mas o carro recebeu punição de cinco segundos. Com isso, o Aston Martin #27 voltou à liderança. O Mercedes-AMG #61 da Iron Lynx, de Maxime Martin, chegou a liderar, mas sofreu três penalidades e terminou em sexto.

Assim, o Aston Martin manteve a liderança até o fim. O segundo lugar ficou com o Porsche #91 de James Cottingham, Ayhancan Güven e Timur Boguslavskiy. O terceiro foi do outro Aston Martin, de Gray Newell, Eduardo Barrichello e Jonny Adam. A Ferrari #21 da AF Corse terminou em quarto.

Outros destaques: o Corvette #33, líder do campeonato, rodou na primeira curva e terminou em 12º. O Porsche #92 teve problemas na direção. O pior caso foi o BMW #69 da WRT, de Anthony McIntosh, que sofreu furo no pneu e teve o habitáculo tomado por fumaça, obrigando o piloto a sair às pressas para evitar intoxicação.

O próximo desafio: Fuji

A próxima etapa acontecerá no circuito de Fuji, no Japão, no dia 27 de setembro.