FIA WEC: Circuito das Américas recebe disputas acirradas em Austin
O Campeonato Mundial de Endurance da FIA (FIA WEC) desembarca no Texas para a disputa no lendário Circuito das Américas (COTA). Projetado com a colaboração do ex-campeão mundial de motociclismo Kevin Schwantz, o COTA integrou o calendário pela primeira vez em 2013 e permanece como o traçado mais moderno da temporada. A pista rapidamente se consolidou como uma das favoritas entre pilotos e fãs devido às suas dramáticas mudanças de elevação, curvas amplas de alta velocidade, trechos técnicos lentos e ondulações notórias. Entre os pontos mais marcantes está a subida característica da Curva 1, conhecida como “Big Red”, além do complexo formado pelas Curvas 16, 17 e 18.
Percorrido no sentido anti-horário, o circuito conta com 5,513 quilômetros de extensão e 20 curvas. A pista exige um rendimento extremo de pneus e freios, enquanto os protótipos Hypercar atingem velocidades superiores a 315 km/h. Apesar de todos os 35 carros inscritos terem cruzado a linha de chegada na etapa de São Paulo, o COTA mantém a reputação de ser um circuito agressivo. Prova disso é o histórico recente da prova: oito equipes abandonaram a corrida de 2024 e sete deixaram a disputa em 2025, fato que reforça a complexidade do desafio texano.
Histórico de successo
Além do desgaste técnico, a categoria costuma proporcionar momentos memoráveis e batalhas decisivas. Na edição de 2017, o público acompanhou a chegada mais apertada da história da série sob bandeira verde, com uma diferença de escassos 0,276 segundos entre os líderes. Do mesmo modo, a margem de vitória de apenas 0,256 segundos na classe LMGT3 no ano passado estabeleceu o recorde de menor distância na categoria de carros de produção até hoje, marca que também representou a menor margem de diferença entre duas montadoras rivais. Diante desse histórico, um novo encontro épico no fim de semana é uma certeza para os fãs do automobilismo.
Empate na categoria Hypercar marca a metade da temporada
A edição de 2026 do Lone Star Le Mans marca a 15ª visita do FIA WEC à América do Norte. O evento representa a 75ª corrida de seis horas e a 40ª competição na categoria principal de Hypercars. A disputa pelos títulos segue aberta e extremamente acirrada, com um empate na liderança do Campeonato Mundial de Pilotos. Na classificação de Construtores, apenas cinco pontos separam a experiente Toyota, detentora de múltiplos títulos, da estreante BMW.
Ambas as marcas já triunfaram duas vezes nesta temporada, contudo nenhuma delas conquistou uma vitória no Circuito das Américas. O COTA figura como uma das quatro pistas na história do campeonato em que a Toyota jamais venceu. Por outro lado, o piloto do carro #8, Brendon Hartley, possui um retrospecto vitorioso no local, com três triunfos consecutivos pela Porsche entre 2015 e 2017. Ademais, seu companheiro de equipe Sébastien Buemi e o piloto do carro #7, Mike Conway, são os únicos competidores a participarem de todas as edições da série em Austin.
A equipe da BMW também apresenta métricas promissoras no traçado texano. O piloto Sheldon van der Linde, que divide o carro #20 M Hybrid V8 com os líderes do campeonato René Rast e Robin Frijns, registrou a volta mais rápida do fim de semana no COTA durante o segundo treino livre da edição de 2025.
Cadillac busca afirmação em casa e Ferrari tenta reagir no campeonato
A Cadillac chega motivada para a corrida em casa após conquistar o primeiro pódio em 12 meses na etapa de Interlagos. O modelo V-Series.R, preparado pela equipe JOTA, demonstrou velocidade consistente em todas as etapas do ano. Os pilotos Norman Nato e Earl Bamber já venceram a classificação geral no COTA. O neozelandês Bamber encaminhou o título mundial de 2017 justamente após essa etapa. Para reforçar a equipe anglo-americana no fim de semana, o bicampeão da IMSA Ricky Taylor integra o time.
Em outra parte do equilibrado grid dos Hypercars, a Peugeot alcançou o primeiro pódio de 2025 no Texas. O líder do time, Loïc Duval, integrou a equipe vitoriosa na edição inaugural da prova com a Audi e detém o recorde oficial da volta mais rápida na pista desde 2016.
Embora o desempenho nos treinos classificatórios nem sempre se converta em vitória, o histórico em Austin mostra que a posição de largada é fundamental. A prova de seis horas jamais teve um vencedor que partiu abaixo da quarta posição no grid. Além disso, seis das oito edições disputadas terminaram com uma única montadora na primeira fila. Tanto em 2024 quanto em 2025, a Ferrari dominou a liderança do grid e a equipe do Cavallino Rampante busca repetir esse rendimento para entrar novamente na disputa pelo título.
A pista é tradicionalmente favorável ao modelo 499P, já que o protótipo italiano possui uma taxa de 50% de pódios no evento, índice superior ao de qualquer concorrente na classe Hypercar. Com esse retrospecto positivo, os atuais campeões mundiais tentam quebrar o maior jejum de vitórias do time na história do FIA WEC.
Corvette almeja o terceiro triunfo consecutivo na classe LMGT3
A Corvette lidera a categoria LMGT3 no ponto médio do campeonato. O modelo Z06 #33 venceu as 24 Horas de Le Mans e o carro irmão #34 repetiu a conquista no Brasil. Essa sequência estabelece um feito inédito. Pois é a primeira vez que uma montadora americana disputa a prova em seu país de origem impulsionada por duas vitórias consecutivas. Entretanto, a marca pertencente à General Motors busca quebrar o tabu de nunca ter vencido em solo norte-americano pela categoria. Isso, acumulando apenas um pódio no COTA no ano de 2016.
Aliás, o piloto local Ben Keating, natural dos arredores de Houston, alcança a marca de 45 participações na categoria. Além de estabelecer o recorde de maior número de largadas de um piloto americano no FIA WEC. No contexto histórico, apenas França e Reino Unido possuem mais representantes no campeonato do que os 95 pilotos dos Estados Unidos. Para esta etapa, oito inscritos defendem a bandeira americana, com destaque para o ex-piloto de Fórmula 1 Logan Sargeant, da equipe Proton Competition. Cinco desses representantes já subiram ao pódio na presente temporada.
Os detalhes da classe em Austin
Nas edições anteriores da classe LMGT3 no COTA, as vitórias ficaram com fabricantes britânicos. A McLaren comemorou o primeiro lugar no ano passado após uma penalização aplicada à Ferrari #54 da VISTA AF Corse. Um ano antes, a Heart of Racing Team triunfou com a Aston Martin. Resultado que figura até hoje como a única vitória da LMGT3 obtida a partir da pole position e a única conquista da marca britânica na categoria.
Essa vitória também representou o pódio de número dez da Aston Martin no circuito, o dobro de qualquer outra rival. A exemplo da Ferrari, a Aston Martin enfrenta um período sem vitórias. Mas chega a Austin encorajada pelas duas poles consecutivas conquistadas em Le Mans e em Interlagos.
Por fim, em 2025, os dois Ford Mustang da equipe Proton Competition dominaram a sessão Hyperpole da LMGT3 no COTA. Embora os modelos americanos não tenham largado da primeira fila desde então. A estatística revela uma persistente dificuldade para os pole-positions da categoria: nenhum piloto que cravou a pole após aquela prova conseguiu ir além do oitavo lugar obtido pelo Mustang #88 no Texas. Sem contabilizar pontos na temporada atual.