FIA, ACO e IMSA anunciam regulamento unificado para protótipos a partir de 2030
Em um movimento histórico para o automobilismo mundial, a FIA, a ACO e a IMSA confirmaram nesta sexta-feira, 12, a criação de um conjunto unificado de regulamentos para a categoria principal de protótipos. As novas diretrizes técnicas estrearão nas temporadas de 2030 do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) e do Campeonato WeatherTech SportsCar (IMSA).
O anúncio ocorreu nesta sexta-feira em Le Mans, durante a conferência de imprensa anual da ACO. A principal mudança estrutural será a adoção de uma plataforma única com tração em duas rodas para ambas as séries. Essa decisão contrasta com o cenário atual, no qual a maioria dos carros da classe LMH utiliza tração nas quatro rodas.
Flexibilidade no desenvolvimento e congelamento de desempenho
Com as novas regras, as montadoras terão duas rotas para a construção dos bólidos. A primeira opção permitirá o uso da estrutura completa de um construtor homologado combinado a peças padronizadas, como o sistema híbrido — nos moldes do atual regulamento LMDh. Como alternativa, as marcas que desejarem maior independência técnica terão a oportunidade de desenvolver o próprio chassi e sistema híbrido do zero.
Independentemente da escolha, todos os componentes precisarão cumprir especificações técnicas idênticas. Além disso, a organização proibirá atualizações de desempenho por um período mínimo de cinco anos.
As exceções à regra — conhecidas como “curingas” de desenvolvimento — acontecerão apenas em situações restritas:
-
Correção de problemas comprovados de confiabilidade;
-
Ajustes de segurança;
-
Demonstração clara de uma “deficiência significativa de desempenho” em relação aos concorrentes.
Detalhes técnicos e aerodinâmica simplificada
No aspecto mecânico, todos os carros deverão utilizar obrigatoriamente tração traseira. O sistema híbrido atuará no eixo posterior, acompanhado por um motor de combustão interna que receberá um ganho de 20 kW de potência em comparação aos índices atuais. Por outro lado, as fabricantes desfrutarão de total liberdade em relação à arquitetura e à cilindrada do motor.
No que diz respeito à aerodinâmica, o regulamento introduzirá um assoalho e um difusor padronizados para todos os competidores. Da mesma forma, haverá uma “janela aerodinâmica menor” se comparada aos parâmetros vigentes.
De acordo com os responsáveis pela formulação das regras, o objetivo central desta virada para 2030 é a redução drástica de orçamentos. Ao mesmo tempo, o formato preserva a liberdade para que as marcas criem carros com identidades visuais distintas e simplifica os processos através de uma plataforma comum.
O futuro do hidrogênio e a reação das lideranças
Paralelamente aos motores convencionais, a ACO revelou detalhes sobre a futura classe de veículos movidos a hidrogênio. Esta divisão também adotará uma plataforma de tração traseira semelhante e buscará a equivalência tecnológica direta entre os hipercarros tradicionais e os novos “Hipercarros H2”.
O presidente da IMSA, John Doonan, celebrou o acordo e classificou as novas regras comuns como uma “vitória para todos”.
“Quando olhamos para a era atual das corridas de endurance, mostramos o que é possível quando as partes interessadas se unem em prol de uma visão comum. Hoje damos o próximo passo nessa direção. Ter uma plataforma única é um sonho que se torna realidade”, declarou Doonan.
Segundo o dirigente, a prioridade agora reside no trabalho dos grupos técnicos para refinar as diretrizes e assegurar o retorno financeiro para investidores e montadoras pelas próximas décadas.
O cronograma oficial segue em ritmo acelerado, com novas reuniões agendadas entre os grupos de trabalho das fabricantes para a finalização do texto. Conforme garantiu Bruno Famin, diretor adjunto de competição da ACO, o livro de regras completo para 2030 estará finalizado até o término deste ano.