Entenda as diferenças entre os protótipos LMP2 e LMP3

Muito parecidos e muito diferentes. (Foto: United Autosports)

A escalada para quem busca uma carreira no automobilismo, começa pelo kart. Se tiver um bom desempenho , segue para categorias de fórmula até chegar à sacrossanta Fórmula 1. Não é segredo que a F1 se tornou extremamente cara, e para chegar lá, se faz necessário um grande aporte financeiro. Mas automobilismo não é só F1. Existem inúmeras categorias que podem alavancar a carreira de qualquer piloto. 

Nos últimos anos com o crescimento do endurance, muitos pilotos optaram por ir para categorias GT ou de protótipos. O Automobile Club de l’ouest lançou em 2013 a classe LMP3. A iniciativa era justamente incentivar jovens pilotos a ingressarem no endurance e “subir” de categoria. Passando para a LMP2 e a LMP1, hoje os Hypercars ou LMDh. 

Ao contrário da Fórmula Le Mans, categoria que utilizava modelos Oreca FLM09, a classe LMP3 acabou sendo um sucesso. O primeiro protótipo LMP3 a ser anunciado foi o Ginetta G58 equipado com o motor Nissan. 

Mesmo sendo pioneiro, o G58 não estava em conformidade com os regulamentos técnicos e foi substituído pelas equipes pelo Ligier JS P3. O sucesso foi tão grande que diversas séries foram criadas na Europa, Ásia e EUA. Com a similaridade dos modelos LMP3 e LMP2, fica a dúvida, quais as diferenças?

Irmãos em números

Oreca 07 é o protótipo dominante da classe LMP2. (Foto: Oreca)

Devido à semelhança de aparência e tamanho de ambos, muitos fãs podem muitas vezes confundir os casos na pista.  Eles são semelhantes em peso. Um LMP2 tem peso mínimo de 938 quilos, enquanto um LMP3 pesa 948 quilos. 

As medidas também são semelhantes. (Um LMP2 tem no máximo 4, 794 metros de comprimento e até 1,905 metros de largura. Um LMP3 possui 4,648 de comprimento e no máximo também 1,905 metros de largura).

As principais diferenças estão nos motores, aerodinâmica, tecnologia de chassis e freios. Todos os LMP2s usam um motor V8 de 4,2 litros fabricado pela Gibson, que produz mais de 560 cavalos de potência.  O LMP3s utiliza um motor Nissan V8 de 5,6 litros de base de produção, naturalmente aspirado, que gera cerca de 460 cavalos de potência, ou 18% menos que o LMP2.

O protótipo LMP2 também gera downforce mais eficiente do que o LMP3. O LMP2 usa um monocoque totalmente de fibra de carbono, enquanto o LMP3 usa uma combinação de fibra de carbono e uma estrutura de aço tubular. Por último, o LMP2 é equipado com freios de carbono, que reduzem a velocidade do carro mais rápido que um LMP3.

LMP2 é a opção para pilotos profissionais

Com essas vantagens, o LMP2 é significativamente mais rápido – por design, já que o LMP3 é a porta de entrada para o mundo de endurance. Tendo como base as 24 Horas de Daytona deste ano, o LMP2 foi cerca de 6,5 segundos mais rápido que um LMP3. Isso equivale a quase 16 km/h. 

“Eles são obviamente diferentes no tempo de volta, mas atrás do volante, sentindo como ele se comporta, eles são na verdade muito semelhantes”, disse Colin Braun, ao avaliar os dois protótipos. Competindo na IMSA desde os 16 anos. Braun acumulou 18 vitórias em corridas e conquistou os títulos da temporada dos campeonatos WeatherTech de 2014 e 15 na classe LMPC.

Braun foi um membro da equipe LMP2 Core AutoSports que venceu em Daytona em 2020.  Este ano Braun competiu com um Ligier JS P320 LMP3. Junto com os pilotos Jon Bennett e George Kurtz, Braun ganhou a classe LMP3 as 12 Horas de Sebring.

“Tudo é meio que reduzido, eu diria, no carro LMP3”, Braun continuou. “Um pouco menos de potência, um pouco menos aerodinâmico, pneu muito semelhante. Tudo tem um pouco menos de desempenho. Mas a sensação é surpreendentemente semelhante”.

Tanto na IMSA, quanto no ELMS, para facilitar a identificação dos protótipos, as séries adotam cores para diferenciar as classes. Outro piloto que competiu com os dois carros foi Cameron Cassels.  Ele terminou em segundo lugar  no campeonato LMP2 em 2019, no mesmo ano em que venceu a classe em Sebring. De 2018 a 2020, ele pilotou no IMSA Prototype Challenge, vencendo o campeonato da classe Masters em 2018 e terminando em sexto lugar geral em 2019. Cassels comandou o #38 da Performance Tech Motorsport.

“O (LMP2) realmente obtém sua potência com uma rotação relativamente alta”, disse Cassels. “A potência do motor Gibson de 4,2 litros realmente atinge o pico a 8.500 RPM, então você realmente quer usá-la até pouco antes de o limitador de rotação travar”. 

“O carro LMP3, entretanto, por mais impressionante que seja, produz sua potência em um RPM muito mais baixo. O motor NISMO de 5,6 litros definitivamente soa mais como um motor V8 americano com baixo ruído. Os sons dos dois motores são fáceis de detectar com os LMP2s gritando e os LMP3s passando rugindo, se é que você pode imaginar”.

“Aerodinamicamente, há uma diferença notável no que os carros podem fazer”, continuou Cassels. “Pode ser um pouco confuso confiar na maior aderência oferecida pelo LMP2 com o downforce. Ambos os carros contam com downforce para se mover rapidamente; o LMP2 tem mais disso. Mecanicamente, o carro LMP2 parece muito mais preciso para pilotar. Tudo acontece um pouco mais rápido, com feedback mais rápido, no carro LMP2. A resposta do acelerador, as entradas da direção e a frenagem parecem um pouco mais diretas e precisas”, enfatiza. 

Um degrau para o topo do automobilismo

Ligier JS P320 é o mais popular entre os modelos LMP3. (Foto: Ligier)

Com cada vez mais adeptos, a classe LMP3 na opinião de Colim Braun, não deve nada para outras categorias de acesso. “O LMP3 dá às pessoas a oportunidade de dar um salto para a IMSA ou WEC”, disse Braun. “Você olha os tempos de volta dos carros LMP2 e eles não estão tão distantes dos carros DPi. Para algumas pessoas que estão subindo e entrando nas corridas de endurance, certamente eu acho a classe LMP3 é mais acessível ou um pouco menos intimidante para começar a correr. Por outro lado, acho que é uma aula muito boa para desempenho também do ponto de vista financeiro. É apenas uma aula boa, boa e equilibrada”, finalizou. 

 

 

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3 meses ago
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Written by Fernando Rhenius
Jornalista formado pela Universidade do Vale do Itajaí - Univali. Mantem o site Bongasat.com.br desde 2009 de forma independente. Acredita que a informação, precisa ser divulgada de forma rápida, para que o leitor possa criar seu ponto de vista, e fugir de ostracismos e "especialistas" que povoam a imprensa automobilística no pais.