A Ford Performance definiu um rumo claro para o seu aguardado hipercarro LMDh. Embora a presença da marca em ambos os lados do Atlântico pareça um passo lógico, a fabricante do oval azul optou por estrear o novo protótipo exclusivamente no Mundial de Endurance da FIA (FIA WEC) em 2027. O modelo, desenvolvido em parceria com a Oreca para a construção do chassi, segue uma estratégia técnica similar aos projetos da McLaren e da Genesis Magma Racing.
A decisão surpreendeu parte dos fãs, já que a Ford possui uma base sólida no automobilismo norte-americano, com participações de destaque na IMSA SportsCar Championship e na Nascar. Contudo, o foco inicial na Europa possui um objetivo comercial e esportivo muito claro.
O foco total nas 24 Horas de Le Mans
Durante as 6 Horas de Spa, Mark Rushbrook, diretor global da Ford Performance Racing, foi categórico ao explicar a ausência inicial do protótipo no campeonato americano. De acordo com o executivo, o plano atual foca na expansão global da marca fora da América do Norte.
“Estamos comprometidos com um projeto de cinco anos, e o Mustang GT3 já nos permite competir como equipe de fábrica na IMSA. Além disso, corremos com a Proton como equipe cliente no WEC, nos campeonatos da SRO e em muitas outras categorias. Esse modelo funciona muito bem para nós”, afirmou Rushbrook, em entrevista ao site endurance-info.com.
Portanto, o principal estímulo para a entrada na classe dos hipercarros é a busca pela vitória geral nas 24 Horas de Le Mans, um triunfo que conecta diretamente o futuro da empresa com o seu passado histórico na prova francesa. Ademais, a categoria principal do WEC preenche uma lacuna que o atual Mustang GT3 não consegue ocupar como equipe oficial de fábrica na Europa.
Presença consolidada na IMSA afasta necessidade de expansão
De acordo com a liderança da Ford, o mercado americano já exibe uma saturação positiva de carros da marca. Como exemplo, Rushbrook citou eventos recentes em Laguna Seca e Sebring, onde o fabricante alinhou dezenas de veículos em um único final de semana.
Ao todo, a marca movimentou cerca de 32 Mustangs na pista, divididos entre:
-
Mustang GT3: dois carros oficiais de fábrica e dois de clientes;
-
Mustang GT4: modelos inscritos na Michelin Pilot Challenge;
-
Mustang Challenge: categoria monomarca com cerca de 20 carros no grid.
Em virtude desse panorama, a diretoria avalia que a IMSA é uma série fantástica, com circuitos magníficos, mas que não demanda o investimento imediato de um Hypercar.
Daytona e Sebring ficam para o futuro?
Essa escolha estratégica implica, temporariamente, abrir mão da disputa pela vitória geral em provas icônicas como as 24 Horas de Daytona e as 12 Horas de Sebring — palcos onde a Ford escreveu capítulos de ouro no automobilismo de resistência.
Apesar disso, Rushbrook não descarta totalmente uma mudança de planos a médio prazo. Questionado sobre o assunto, o diretor manteve um tom cauteloso, mas deixou a porta aberta para os anos seguintes.
“No momento, o nosso foco se concentra em finalizar o desenvolvimento e cumprir as obrigações para colocar o carro na pista no WEC em 2027. Contudo, existe a possibilidade de uma participação nas 24 Horas de Daytona em 2028 ou 2029? Com certeza, existe. Mas isso não significa uma confirmação”, concluiu o dirigente.
