Ferrari não quer mais BoP no WEC a partir de 2030
Ao contrário da Fórmula 1, que enfrenta problemas com o egocentrismo de Lewis Hamilton, no Endurance parece que o time italiano quer impor suas vontades nos regulamentos da classe Hypercar do Mundial de Endurance.
Sendo assim, Antonello Coletta, chefe global de Endurance da Ferrari, argumentou que o Balance of Performance (BoP) não deveria fazer parte do regulamento dos Hypercars no futuro ciclo que entrará em vigor a partir de 2030.
Para o próximo ciclo de regulamentos, a classe Hypercar adotará uma plataforma única (atualmente temos protótipos LMH e LMDh), além da obrigatoriedade do uso de tração traseira. De acordo com informações do site Sportscar365.com, as propostas iniciais afirmavam que as marcas teriam a opção de usar a estrutura completa de um fabricante registrado juntamente com peças comuns, como um sistema híbrido — de forma semelhante às regras atuais da LMDh —, ou desenvolver seu próprio chassi e sistema híbrido.
Coletta descreve a criação das regras de 2030 como uma “ótima oportunidade” para eliminar as complexidades dos carros LMH e LMDh competindo lado a lado e pediu que o Balance of Performance (BoP) seja totalmente removido ou tenha um alcance muito menor do que o atual.
“Agora estamos todos reunidos à mesa para definir uma plataforma única e, com uma plataforma única, podemos escrever as regras de forma muito clara. O objetivo final deve ser eliminar o Balance of Performance”, explicou ele.
“Se você se lembra, o BoP nasceu com as diferentes plataformas — tração nas quatro rodas, tração em duas rodas, LMDh, LMH —, mas se tivermos uma plataforma única, acho que teremos uma chance muito boa de posicionar o campeonato em torno de uma tabela meritocrática, sem discussões a cada corrida sobre o BoP e coisas do tipo”, enfatiza.
Ferrari e o seu lobby
A Ferrari não é iniciante quando o assunto é a remoção do BoP da classe Hypercar do WEC. O assunto já foi pauta da equipe italiana em 2025 e, obviamente, nada sofreu alteração nos regulamentos.
Além disso, Coletta descreveu a remoção do BoP como “o sonho” da Ferrari, mas reconheceu que todos os diferentes fabricantes têm prioridades variadas e que serão necessários acordos.
Embora tenha afirmado que a remoção do BoP “não era obrigatória” para que a fabricante italiana continuasse no WEC no próximo ciclo de regras, Coletta acrescentou que havia outros pormenores.
“Para nós, é imprescindível ter a oportunidade de fabricar o carro”, disse ele. “A ideia da Ferrari é ter uma plataforma única com regras muito rígidas, com a possibilidade de construir o carro com nossos próprios esforços, sem compartilhar caixa de câmbio, eletrônica ou outras peças.”
“Se outros fabricantes têm o sonho de compartilhar algumas peças mecânicas, por que não? Preferimos colocar o nosso Cavallino (logotipo) na frente do carro se o carro for uma Ferrari. E não se for 80% Ferrari, 5% de outro fabricante e 5% de outro”, lembra.
“Depois, se conseguirmos produzir 100% do carro, veremos o Balance of Performance (BoP) ou um BoP mínimo. A discussão é muito complexa e bastante aberta. Hoje temos a categoria do BoP, mas se tivermos uma pequena porcentagem de intervenção, já será uma solução. Precisamos de uma intervenção marginal, não grande. Nossa ideia é eliminar completamente ou reduzir bastante.”
A opção pela tração nas 4 rodas
Nesse sentido, o dirigente também afirmou que a preferência da Ferrari seria continuar com uma plataforma de tração nas quatro rodas. Principalmente devido à sua maior relevância para os carros de rua modernos, mas disse que isso não seria um fator decisivo.
A predileção pela tração integral é compartilhada por Masaya Kaji, diretor de automobilismo da Toyota. Ele também afirmou que seria difícil aceitar a proibição da tração 4×4 em seus carros.
“Para nós, faz sentido ter tração nas quatro rodas porque todos os carros de rua seguem nessa direção. Mas, quando se está em negociações, é preciso ceder em alguns pontos para ganhar em outros”, disse Coletta.
“Para a Ferrari, ter tração nas quatro rodas provavelmente seria o ideal. Mas, além da Ferrari e de outras duas montadoras, isso não interessa às demais. É evidente que seria complicado manter a tração nas quatro rodas (dentro das regras)”, finalizou.