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O WEC inocentou o circuito de Barcelona

O circuito de Barcelona-Catalunha, assim como o traçado de Paul Ricard, sempre foi o “judas” quando o assunto é a Fórmula 1. As críticas sempre foram as mesmas há anos: corridas sem emoção e eternas filas indianas.

Porém, quando a coisa é vista sob a ótica de um campeonato competitivo, o discurso muda. A penúltima etapa do Mundial de Endurance disputada neste domingo, 18, foi mais uma prova contra as críticas ao traçado. A vitória e o título da Toyota ficaram até pequenos quando o assunto são corridas multiclasse.

Resultado final

Alguns podem dizer que a chuva ajudou (sim! O WEC corre na chuva), mas a quantidade de carros e duas classes fizeram o básico: entregaram emoção do começo ao fim. Se quer outro exemplo, é só acompanhar as corridas do European Le Mans Series (ELMS) com suas quatro classes — apenas para mantermos o assunto na seara do endurance.

Como foi a corrida do WEC em Barcelona?

A vitória de Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryo Hirakawa, com o Toyota #8, e o segundo lugar do carro irmão #7 garantiram o título do Mundial de Construtores para a fabricante japonesa.

Durante as 6 horas de prova, a fabricante japonesa não teve adversários que ameaçassem sua vitória. A pole da Genesis e um promissor começo terminaram ainda na primeira volta. O Toyota #8 cruzou a linha de chegada com uma diferença de apenas 0,583 segundos sobre o #7, pilotado pelo trio formado por Nyck de Vries, Mike Conway e Kamui Kobayashi.

Com o resultado, nem BMW nem Ferrari obtiveram os pontos necessários para superar a Toyota na briga pelo título de construtores. Logo, os japoneses garantiram o oitavo título de construtores no WEC. A única dúvida da marca era qual dos seus carros venceria a prova, já que o #8 tinha 17 pontos de vantagem.

Para a Genesis, restou o aprendizado. Daniel Juncadella, com o Genesis GMR-001 #19, assumiu o primeiro lugar ainda na largada, ultrapassando Buemi e André Lotterer (este no Genesis #17). Entretanto, Juncadella saiu da pista na curva 5, ainda na primeira volta. A partir dali, o Toyota #8 liderou até o fim da corrida.

O Genesis “sobrevivente” não conseguiu segurar os rivais e perdeu diversas posições. Buemi manteve a liderança durante os dois períodos de safety car na primeira hora, com quase todos os pilotos optando por parar nos boxes durante seus stints.

Estratégias que não funcionaram

Na busca pela liderança da prova, a BMW tentou uma tática arriscada. René Rast não parou nos boxes com o BMW #20 da WRT, tentando se manter na luta pelo título. No entanto, a aposta fracassou quando o carro recebeu a bandeira preta e laranja por estar com a pressão dos pneus abaixo do ideal. Rast precisou parar imediatamente e caiu para o fim do grid da classe Hypercar, agravando os problemas da equipe, que ainda recebeu uma penalidade de 20 segundos.

Por outro lado, o destaque das primeiras horas de prova foi Nyck de Vries, no Toyota #7, que havia largado apenas em nono lugar. Ele subiu para terceiro após as duas primeiras bandeiras amarelas e, em seguida, ultrapassou Miguel Molina, da Ferrari 499P #50, garantindo a dobradinha da Toyota.

Aliás, nem mesmo uma penalidade para o Toyota #8 por infringir os procedimentos de largada impediu a vitória. O cumprimento da punição ocorreu durante a segunda rodada de pit stops e colocou Brendon Hartley atrás do carro #7 de Mike Conway. Mesmo assim, Hartley estava rápido com seus pneus slick, já que a pista começara a secar, e conseguiu ultrapassar Conway algumas voltas depois.

O domínio da Toyota foi tamanho que os carros japoneses abriram uma vantagem de 30 segundos sobre a Ferrari #50, em terceiro lugar. Isso antes de o safety car ser acionado na quarta hora, após o Aston Martin Vantage GT3 Evo #27 da Heart of Racing, pilotado por Zacharie Robichon, rodar e parar na brita da curva 7.

Os Toyotas tinham alguns retardatários entre eles e a Ferrari na relargada e não foram ameaçados nas duas horas finais, confirmando a conquista do título de construtores.

Porsche vence na classe LMGT3

Porsche da Manthey vence na classe LMGT3. (Foto: Divulgação)

Na classe LMGT3, a vitória ficou com o Porsche #92 da Manthey EMA, pilotado por Yasser Shahin, Riccardo Pera e Richard Lietz. O trio apresentou uma performance tão dominante quanto a do Toyota vencedor, conquistando sua primeira vitória na temporada e o primeiro top 10 desde Interlagos.

Do mesmo modo, eles se tornaram a sétima equipe em sete corridas a vencer na classe LMGT3, quebrando o recorde de maior número de vencedores diferentes em uma única classe GT do WEC em uma temporada.

Marvin Kirchhöfer, com o McLaren da equipe Garage 59, conquistou o segundo lugar na categoria nos minutos finais. O #10 da equipe se recuperou bem de um início ruim nos boxes para impedir que Dan Harper e o trio do BMW #69 da WRT ficassem com o segundo lugar.

Atrás do carro #69, o Corvette da Racing Team Turkey ficou em quarto lugar. A Ferrari #21 da Vista AF Corse teve uma corrida discreta e terminou em quinto.

Por fim, a equipe TF Sport e o líder do Campeonato de Pilotos, Jonny Edgar, terminaram em sétimo com o Corvette #33 e continuam sendo os grandes favoritos para conquistar os títulos da classe, com uma vantagem de 18 pontos sobre o #92.

A derradeira etapa do Mundial de Endurance de 2027 ocorrerá no dia 8 de novembro, no circuito de Monza. Se a etapa espanhola teve um nível alto de emoção, não será diferente em Monza. Alguém com saudades das pistas de Lusail ou do Bahrein?