Peugeot confirma evolução do 9X8 para 2027 e garante permanência no WEC
A Peugeot reafirmou nesta quinta-feira, 18, a intenção de introduzir uma nova evolução para o seu hipercarro 9X8 no Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) a partir da temporada de 2027. Contudo, a fabricante francesa esclareceu que não apresentará um bólido totalmente inédito para o restante do atual ciclo regulatório. Com essa estratégia, a marca de Satory busca otimizar o projeto atual sem a necessidade de uma nova homologação estrutural completa.
Há um longo período, o departamento de engenharia estuda possíveis modificações no modelo. Vale ressaltar que a cota inicial de cinco “coringas” de desenvolvimento (Evo jokers) se esgotou com a atualização da suspensão adotada no início de 2025, uma alteração que sucedeu a grande reformulação aerodinâmica promovida em 2024. Portanto, novos aprimoramentos técnicos dependem do aval direto das entidades reguladoras.
Desafios da Peugeot e a busca por equivalência
Embora a equipe tenha demonstrado lampejos de competitividade nas etapas regulares do campeonato — com destaque para a pole position conquistada na etapa de Spa-Francorchamps —, o rendimento nas 24 Horas de Le Mans ficou abaixo das expectativas. Na tradicional maratona francesa, os dois carros da escuderia terminaram em 11º e 12º lugares, com uma desvantagem de quatro e cinco voltas em relação aos líderes, respetivamente.
Apesar de o regulamento teoricamente impedir modificações por falta de créditos de desenvolvimento, a Peugeot aposta numa nova cláusula desportiva do WEC. Este dispositivo permite concessões extras a fabricantes que os organizadores considerem em desvantagem significativa de performance. De acordo com Olivier Jansonnie, chefe da Stellantis Motorsport, os boatos sobre a construção de um veículo completamente novo não procedem.
“Diante do cenário atual, o resultado em Le Mans reflete o real desempenho do carro nesta pista específica. Desse modo, necessitamos da autorização para evoluir. Trata-se de um aprimoramento do modelo atual, um projeto que preparamos há algum tempo com a meta de colocá-lo na pista no próximo ano”, explicou Jansonnie.
Processo de homologação sob análise da FIA e ACO
Indagado sobre a necessidade de novos jokers ou de um processo inédito de registo, Jansonnie ponderou que a decisão cabe de forma exclusiva às autoridades do desporto. Segundo o executivo, o papel da montadora restringe-se ao envio de dados técnicos que comprovam o défice atual de velocidade.
“Desenvolvemos o carro, mas o formato de homologação está sob a responsabilidade da FIA e do ACO. As regras mudaram justamente para amparar marcas em dificuldades. Diante disso, partilhamos as telemetrias anteriores que atestam o nosso rendimento abaixo do esperado, o que justifica a urgência de melhorias para o próximo ano”, completou o diretor.
Compromisso renovado com o WEC até 2029
Em complemento às definições técnicas, o CEO da Peugeot, Alain Favey, assegurou que a nomenclatura 9X8 permanecerá ativa até ao fim da vigência deste conjunto de regras. Além disso, o executivo garantiu a permanência da fabricante no grid pelo menos até ao encerramento da temporada de 2029. Antes da transição para o novo regulamento previsto para 2030.
“A Peugeot possui uma sólida resiliência, e esse é o valor que desejamos projetar por meio da nossa presença no WEC e em Le Mans. Confirmamos a nossa participação até 2029, cientes de que haverá uma transformação regulatória em 2030. Ter a certeza de que podemos competir com o carro atual e aplicar novas evoluções nos dá o respaldo necessário para justificar este investimento por mais três anos”, declarou Favey.
Por fim, ao avaliar o desempenho discreto no fim de semana passado, onde os carros largaram em 16º e 18º, o CEO demonstrou otimismo para o futuro. Favey sublinhou que a ambição da marca não é ocupar a parte de trás do grid. Além que relembrou a pole em Spa e a proximidade do topo em Ímola. Por consequência, os resultados das primeiras corridas representam a meta real da equipa, e não o desfecho de Le Mans. A diretoria confia que o trabalho dos próximos três anos entregará um nível condizente com a história e a ambição da Peugeot.