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McLaren F1 GTR: Modelo avaliado em R$ 180 Milhões vai a leilão

Poucos automóveis ostentam um prestígio comparável ao do McLaren F1. Três décadas após o seu lançamento, o lendário supercarro projetado por Gordon Murray permanece como uma referência absoluta em desempenho e engenharia. Essa relevância histórica ganhou destaque mais uma vez no evento Le Mans Classic Legend.

Em sua concepção original, o McLaren F1 não tinha o automobilismo como objetivo. Apesar disso, a sua arquitetura avançada, o chassi em fibra de carbono e o poderoso motor BMW V12 de 6,1 litros transformaram o veículo em uma base excepcional para as pistas.

A evolução para as pistas e o triunfo em Le Mans

(Foto: Alex Penfold / RM Sotheby’s)

A fim de atender às exigências da categoria BPR (British Racing Point), a fabricante desenvolveu o F1 GTR. O modelo manteve diversos componentes da versão de rua, mas recebeu adaptações aerodinâmicas exclusivas, uma asa traseira imponente e freios de carbono-cerâmica. Como resultado, a marca produziu nove unidades para a temporada de 1995.

O chassi 01R, utilizado pela McLaren como protótipo de testes, cravou seu nome na história ao vencer as 24 Horas de Le Mans de 1995. A vitória consagrou os pilotos Yannick Dalmas, Masanori Sekiya e JJ Lehto.

Contudo, a entrada de concorrentes ferozes, como o Porsche 911 GT1, exigiu uma resposta rápida. Por essa razão, a McLaren reformulou a aerodinâmica do F1 GTR para o ano de 1996. A nova versão ganhou para-lamas mais largos, splitter frontal agressivo e uma caixa de câmbio leve com carcaça de magnésio. Dessa forma, a engenharia reduziu quase 40 kg em relação ao carro campeão do ano anterior.

O protótipo definitivo: Chassi 10R

(Foto: Alex Penfold / RM Sotheby’s)

Especialistas consideram essa evolução de 1996 a variante mais performática de toda a linha F1 GTR, superando inclusive a famosa versão “Longtail” de 1997. Apenas nove exemplares deste modelo específico saíram da fábrica.

A primeira unidade dessa série limitada é o chassi 10R, grande estrela do leilão em Monterey, agendado para o sábado, 15 de agosto.

Montado em Woking no mês de dezembro de 1995, o chassi 10R assumiu o papel de carro de testes da nova geração. Assim como ocorreu com o 01R, o veículo permaneceu sob custódia da fabricante para sessões de desenvolvimento.

Com JJ Lehto ao volante, o modelo passou por testes rigorosos no circuito de Magny-Cours durante o inverno. Em seguida, atuou como vitrine tecnológica da marca em várias etapas da BPR. A partir de então, sua marcante pintura “Vermelho Sangue” com o logotipo “96 GTR” em amarelo virou uma marca registrada.

Na primavera de 1996, o carro participou dos treinos para as 24 Horas de Le Mans e disputou a pré-qualificação com as cores da equipe Kokusai Kaihatsu Racing, sob o comando de David Brabham. Embora o chassi 11R tenha sido o escolhido para a corrida principal, a presença do 10R consolidou sua reputação como protótipo oficial de fábrica.

Do rock às ruas: A era Nick Mason

Após cumprir sua rotina de testes, o lendário supercarro deixou a fábrica e integrou a coleção particular de Nick Mason, baterista da banda Pink Floyd e renomado colecionador de automóveis.

Posteriormente, em 1999, a própria McLaren iniciou a conversão do bólido para uso em vias públicas. Mais tarde, o especialista Paul Lanzante finalizou as modificações. A escolha de Lanzante foi precisa: o preparador liderou a equipe Kokusai Kaihatsu Racing na vitória de Le Mans em 1995 e tornou-se a maior autoridade global na restauração e conversão dos modelos McLaren F1.

Por 25 anos, Nick Mason confiou a manutenção do chassi 10R exclusivamente a Paul e seu filho, Dean Lanzante. O músico sempre exigiu padrão máximo de conservação e enviava o bólido de volta à oficina Lanzante após cada uso relevante.

Graças a esse cuidado, o McLaren marcou presença constante em eventos globais como Rétromobile, Goodwood Members’ Meeting, Festival of Speed e nas reuniões do restrito 106 Drivers Club. Além disso, duas restaurações completas após pequenos incidentes na pista garantiram ao veículo uma condição de conservação idêntica à de um carro novo.

Um item exclusivo para grandes colecionadores

Em 2024, após um quarto de século sob a posse de Nick Mason, o lendário chassi 10R finalmente chegou ao mercado.

Como a raridade cobra seu preço, a estimativa de arremate para este ícone do automobilismo supera os 30 milhões de euros (aproximadamente R$ 180 milhões). Trata-se de uma oportunidade singular para os colecionadores mais abastados do planeta.