A Ford está determinada a fazer bonito em sua estreia na classe Hypercar do Mundial de Endurance no ano que vem. Após testes nos circuitos de Paul Ricard, Silverstone e Portimão, a fabricante americana possui uma boa bagagem e conhecimento sobre o seu carro.
Além disso, um segundo protótipo testará no circuito de Monza. “O teste em Paul Ricard transcorreu quase sem problemas para um primeiro teste em pista”, reconhece Matt Campbell, em comunicado divulgado à imprensa.
Segundo Campbell, o carro se comportou bem. Porém, nestes primeiros ensaios, os maiores desafios surgiram nos testes em Portimão.
“Portimão foi mais difícil física e logisticamente, com longas noites, mas permitiu-nos compreender rapidamente as áreas prioritárias de desenvolvimento, particularmente no que diz respeito à gestão de sistemas e ao sistema híbrido”, explicou.
Chuva e condições extremas em Silverstone
Já na pista de Silverstone, a chuva e o tempo incerto ajudaram e deram uma nova dinâmica aos testes do Hypercar. Durante os dois dias de trabalho, aproximadamente 1.300 quilômetros foram percorridos. As condições deram a oportunidade para a Ford testar os pneus de chuva.
“O maior avanço reside na forma como a equipe opera”, citou Dan Sayers, chefe do programa da Ford Racing. Para dar conta do programa, o gerenciamento central de motores está sediado em Detroit e Dearborn, nos EUA. Além disso, as equipes de desempenho e simulador estão em Charlotte. No Reino Unido, a equipe Venture Engineering cuida da operação do carro nos circuitos.
Trabalho em dois continentes
Pode parecer complicado, mas o trabalho feito na Europa e nos EUA possui uma vantagem: o fuso horário. “Os engenheiros americanos podem analisar os dados e executar simulações durante a noite europeia para nos fornecer atualizações prontas pela manhã”, explica Dan Sayers.
Esta dinâmica, que para muitos é complexa, parece funcionar para a Ford — principalmente no desenvolvimento do motor, que é feito totalmente pela montadora.
“É um dos pontos fortes do carro. Além do som fantástico, a facilidade de condução e a entrega de potência são excelentes”, explica Matt Campbell. “Em uma plataforma LMDh, preservar os pneus traseiros é fundamental, e a flexibilidade do motor nos ajuda enormemente”.
Dan Sayers confirma que o trabalho de base realizado em Dearborn já está dando frutos. O chassi fornecido pela Oreca não apresentou incompatibilidades. Os “erros” identificados foram inerentes ao desenvolvimento de um carro novo: vibrações, problemas na montagem dos sensores e outros pequenos percalços iniciais.
Já o gerenciamento do sistema híbrido (MGU), feito pela Bosch, e as baterias da Fortescue deixaram o trabalho mais fácil, por serem componentes conhecidos. Mesmo assim, os engenheiros da Ford trabalham no refinamento do software de controle.
A experiência que veio da Porsche
A concorrência deu a sua parcela de ajuda. Matt Campbell, ex-piloto da Porsche, utilizou sua experiência com a fabricante alemã para ajudar no desenvolvimento do Hypercar da Ford.
“O Ford utiliza a plataforma ORECA, o que altera a posição de condução, o conforto do motorista e a ergonomia geral”, enfatiza Campbell, que também pilotou no simulador. Até agora, a Ford trabalhou com apenas um chassi na pista, mas essa situação mudará em breve.
O segundo protótipo se juntará ao programa em Monza, elevando o número total de carros para três, se incluirmos o modelo usado no túnel de vento. O objetivo é simples: aprender duas vezes mais rápido.
“A partir de Monza, vamos correr sistematicamente com dois carros, o que nos permitirá dobrar nosso ritmo de aprendizado”, diz Sayers. Os carros terão missões diferentes: um poderá se concentrar em sistemas eletrônicos, enquanto o outro se dedicará mais a ajustes mecânicos.
Testes finais e a escalação de pilotos
Os próximos meses serão de muito trabalho. Após os testes em Monza, há ensaios agendados para os circuitos de COTA e Sebring. O primeiro teste de resistência real está previsto para novembro, em Motorland Aragón, com uma simulação de 24 a 30 horas. Um segundo evento de resistência está planejado para Sebring, no início do próximo ano.
Por fim, a fabricante já definiu seus seis pilotos: Matt Campbell, Nick Yelloly, Tom Blomqvist, Sebastian Priaulx, Mike Rockenfeller e Logan Sargeant. O que falta definir é quem correrá com quem em cada carro.
A participação de Max Verstappen não é descartada por Sayers, mesmo que, no momento, o foco seja o desenvolvimento do carro. “Estamos 100% focados no nosso programa de lançamento”, deixou claro.
Matt Campbell, por sua vez, não descarta esse cenário: “Ter alguém do calibre dele na equipe seria fantástico e extremamente rápido, mas veremos o que o futuro nos reserva”, finalizou.
A divulgação do nome do carro, dos números, da pintura e da escalação final dos pilotos ocorrerá no final de novembro.
