A tensão nos bastidores do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) atingiu um novo patamar no Bahrein. Antonello Coletta, chefe global de endurance da Ferrari, revelou surpresa com a falta de apoio das demais fabricantes à proposta de extinção do Balance of Performance (BoP). Mesmo após um ano repleto de críticas ao sistema, a marca italiana foi a única a votar pelo fim do mecanismo de equilíbrio.
O Isolamento da Ferrari na Classe Hypercar
Embora o BoP seja um pilar da categoria desde sua criação, a metodologia aplicada em 2025 gerou controvérsias. O domínio da Ferrari no início da temporada, que culminou no título mundial, colocou as regras sob intenso escrutínio. Segundo Coletta, a posição da escuderia de Maranello é transparente: a eliminação total do sistema em troca de faixas de desempenho fixas (parâmetros de homologação).
“Nossa proposta para o futuro foi muito clara. Pedimos a eliminação completa do BoP, mas fomos o único fabricante que aceitou esses termos”, afirmou Coletta à Sportscar365. “Fiquei surpreso porque, durante a temporada, muitos alegaram que o BoP era o problema para o seu insucesso. Mas, na hora da decisão, todos recuaram.”
Para o executivo, o sistema atual serve como uma “desculpa de segunda-feira” para competidores que não atingem os resultados esperados na pista.
Toyota Prioriza a Sustentabilidade do Campeonato
A Toyota Gazoo Racing, apesar de ter sido uma das vozes mais críticas ao sistema em 2025 — especialmente após o desempenho abaixo da média nas 6 Horas de São Paulo — justificou sua recusa em apoiar a Ferrari. David Floury, diretor técnico da equipe, explicou que a remoção do BoP colocaria em risco a própria existência do grid atual.
“É preciso ter uma perspectiva ampla sobre a sustentabilidade do campeonato”, rebateu Floury. O diretor destacou que a presença de tantas montadoras no WEC hoje é reflexo direto da promessa de equilíbrio garantida pelo BoP. Sem ele, o risco de debandada de marcas menos competitivas seria imediato.
Futuro do WEC: Equilíbrio ou Mérito Esportivo?
Enquanto a Ferrari busca a liberdade técnica total, a Toyota e outras marcas defendem ajustes, mas não a abolição. O objetivo dos japoneses é evitar as oscilações extremas vistas em 2025, sem descartar a essência do regulamento.
“Não queremos manter o que tivemos este ano, mas o esporte deve manter um certo grau de mérito”, concluiu Floury. O debate agora se volta para 2026, com a possível introdução de handicaps de sucesso, uma tentativa de conciliar a justiça competitiva com o interesse comercial das fabricantes.
