ORECA avança no projeto do modelo 09 LMP2
A construtora francesa ORECA definiu um cronograma claro para o seu próximo grande passo no automobilismo de endurance. A empresa planeja o lançamento do seu novo carro, batizado de Oreca 09 LMP2, para o segundo trimestre do próximo ano. De acordo com o diretor técnico da equipe, Remi Taffin, o projeto encontra-se em fase avançada de desenvolvimento, embora a categoria ainda não tenha um conjunto finalizado de regulamentos técnicos.
Com o objetivo de assegurar a liderança tecnológica, a ORECA recebeu a licença para construir este protótipo de próxima geração ao lado da Ligier Automotive. O novo modelo trará atualizações significativas, com destaque para o motor biturbo de 3,4 litros desenvolvido pela Gibson Technology. Apesar disso, a fabricante mantém sob sigilo a maioria dos outros detalhes técnicos da nova máquina.
Estreia nas pistas e calendário de integração
A previsão inicial indica que o veículo fará sua primeira corrida oficial na rodada de abertura da temporada de 2028 da European Le Mans Series (ELMS). Logo depois, o protótipo receberá autorização automática para disputar as prestigiadas 24 Horas de Le Mans no mesmo ano. Na sequência, a fabricante planeja integrar o modelo à Asian Le Mans Series durante o inverno, com foco na preparação para a estreia oficial no IMSA WeatherTech SportsCar Championship em 2029.
“Como o Oreca 09 LMP2 chegará às pistas em 2028, nossa equipe foca integralmente nesta fase de projeto”, declarou Taffin em entrevista ao portal Sportscar365. O diretor também ressaltou que há um volume expressivo de trabalho dedicado ao desenvolvimento do monocoque. “Espero que possamos testar o carro em pista em algum momento do segundo trimestre do ano que vem”, completou o engenheiro.
“Todos devem compreender que este é um carro completamente novo. Tudo nele é inédito. Precisamos garantir máxima eficiência, pois os prazos estipulam a entrega dos lotes até o final do próximo ano.” — Remi Taffin
Desafios de produção e novos hipercarros no horizonte
Este compromisso técnico exigirá um esforço operacional intenso por parte da fábrica sediada em Signes, na França. Além de focar no novo protótipo, a empresa gerencia uma agenda repleta de projetos paralelos de alta relevância. Entre eles, destacam-se o suporte contínuo ao Ferrari 296 GT3 Evo e o fornecimento do motor V6 baseado na Toyota, utilizado por todos os competidores da classe LMP3.
Ademais, a ORECA projeta uma colaboração com pelo menos duas montadoras nos regulamentos convergentes para a classe principal de hipercarros com foco em 2030. “Haverá uma óbvia sobreposição com os novos programas de hipercarros. Além disso, não podemos esquecer que incluímos as marcas Genesis e Ford em nossos planos para os próximos três anos”, detalhou Taffin. Portanto, o volume de trabalho na engenharia permanecerá elevado.
O executivo explicou que o foco principal até o início do próximo ano reside na finalização do design do LMP2. Posteriormente, os esforços de engenharia migrarão de forma gradual para a classe principal. Taffin lembrou ainda que a linha de montagem funcionará de forma muito diferente em relação aos projetos sob medida: “A produção dos carros LMP2 ocorre em larga escala. Nós fabricamos cerca de 30 unidades para preencher os grids de forma homogênea, ao passo que no segmento de hipercarros construímos apenas de uma a quatro unidades, onde cada veículo apresenta características exclusivas”.
Busca pela perfeição e soberania na categoria
Mesmo com a consolidação da marca como a força dominante sob o atual regulamento técnico da LMP2 — em vigor desde 2017 —, a liderança da ORECA rejeita qualquer tipo de acomodação. Taffin desmistificou a percepção pública de que a classe se transformou em uma disputa de marca única por conveniência.
“Não há vitórias garantidas de véspera na LMP2”, alertou o diretor técnico. De acordo com sua análise, a categoria só se tornou um grid majoritariamente composto por modelos da marca porque o carro provou ser o mais veloz nas pistas. “O cliente não compra o produto por imposição, ele adquire o modelo que entrega o melhor desempenho. Se você construir um carro ineficiente ou complexo demais, o mercado simplesmente o rejeita.”
Por fim, Taffin destacou o compromisso inegociável da equipe com o sucesso esportivo e a inovação. Segundo o engenheiro, o objetivo central de cada novo projeto é superar os resultados do modelo anterior. “Independentemente de atuarmos na GT3, no LMP2 ou na classe de Hipercarros, cada oportunidade de inovação representa o verdadeiro saldo positivo para o futuro da nossa marca”, concluiu.