A High Class Racing projeta a ampliação da sua recém-anunciada parceria com a Isotta Fraschini para além dos planos iniciais. A escuderia cogita a inscrição do protótipo Tipo 6 LMH-C no Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) e no Campeonato IMSA WeatherTech SportsCar. O anúncio da união gerou uma alta procura por parte de competidores do mercado internacional, o que surpreendeu positivamente a direção do time.
Na última semana, a organização sediada em Barcelona assumiu oficialmente a operação do modelo baseado nas regras LMH. Embora o comunicado inicial omitisse detalhes sobre o cronograma competitivo de longo prazo, os bastidores ganharam novos rumos durante a tradicional semana das 24 Horas de Le Mans. Em entrevista exclusiva ao portal Sportscar365, Anders Fjordbach, chefe da High Class Racing, assegurou a presença da equipe na temporada 2026-27 da Asian Le Mans Series, competição que marca a estreia da classe Hypercar no certame de inverno asiático.
Planos de Expansão e o Desafio Regulatório do WEC
Apesar do foco imediato na Ásia, a Michelotto Engineering e a Isotta Fraschini Milano avaliam de forma conjunta uma expansão para as principais competições do mundo. Todavia, a execução dessa estratégia não depende apenas do desejo das marcas. Conforme explicou Fjordbach, o ingresso nas competições de elite exige a garantia de vagas escassas nos respectivos grids regulamentares.
Ademais, o WEC impõe novos desafios operacionais. A Federação Internacional de Automobilismo adotou a obrigatoriedade de dois carros inscritos por fabricante na divisão Hypercar. Essa exigência altera a dinâmica comercial do projeto. No ano de 2024, o Tipo 6 LMH-C realizou apenas uma temporada parcial com a antiga parceira Duqueine Team antes de retirar-se do campeonato. Portanto, o retorno exige um aporte financeiro robusto.
“Está muito claro que a Michelotto, a Isotta Fraschini e nós temos grande interesse em participar do WEC. Obviamente, esta não é uma jornada barata. Além do orçamento, há a necessidade de uma autorização de entrada. Ter dois carros não é um empecilho técnico, pois a fábrica dispõe de quatro ou cinco chassis, mas o financiamento duplo é complexo.” — Anders Fjordbach, Chefe da High Class Racing
Somado ao fator econômico, o espaço no grid para o próximo ano mostra-se restrito. O campeonato receberá a estreia dos novos programas de hipercarros da Ford e da McLaren. Da mesma forma, existe a provável continuidade do projeto gerenciado pela Signatech, que negocia com uma nova montadora. Diante deste cenário concorrido, a aprovação do comitê de seleção do WEC torna-se um elemento decisivo.
IMSA Surge como Alternativa Altamente Viável
Como consequência das barreiras de entrada na Europa, o Campeonato IMSA WeatherTech SportsCar desponta como uma rota alternativa e realista a curto prazo. A High Class Racing possui uma bagagem sólida nos Estados Unidos, onde competiu na classe LMP2 entre os anos de 2021 e 2024. Esta experiência prévia pode facilitar a transição para a categoria principal de protótipos (GTP).
Sob a perspectiva do regulamento norte-americano, a IMSA autoriza a inscrição de apenas um bólido por equipe, o que reduz os custos operacionais pela metade em comparação ao modelo europeu. Outro ponto favorável é a expectativa de um grid ligeiramente menor na categoria GTP para o próximo ciclo, o que reabriu o interesse dos parceiros europeus.
Contudo, a viabilidade técnica esbarra nas regras de elegibilidade da entidade americana. Questionado sobre a possibilidade de aceitar marcas artesanais ou independentes no campeonato, o presidente da IMSA, John Doonan, relembrou a postura institucional da associação. As normas vigentes exigem que as fabricantes produzam um volume mínimo de veículos de rua em escala global para obter a homologação esportiva. Por outro lado, o executivo ponderou que a IMSA mantém as portas abertas para os competidores homologados da classe LMH até o fim do atual ciclo de regras, previsto para 2029.
Próximos Passos e Cronograma de Testes
Apesar da atratividade do mercado americano, o cronograma logístico impõe um obstáculo severo para a High Class Racing. A temporada da IMSA inicia em janeiro com as 24 Horas de Daytona, o que obriga a realização de testes oficiais logo no início de dezembro. Pelo fato do prazo atual mostrar-se exíguo, o WEC permanece como o objetivo primordial de toda a parceria.
Para sustentar essas ambições estruturais, a High Class Racing concluiu a mudança para uma nova sede técnica em Barcelona. A oficina abriga uma divisão de engenheiros dedicada exclusivamente ao projeto Isotta Fraschini. O cronograma prevê um intenso programa de desenvolvimento na Itália ao longo do próximo mês, com três semanas de testes em múltiplos circuitos locais. Posteriormente, o carro deve seguir para sessões de pista em Silverstone e Barcelona no término do verão europeu, momento em que a equipe definirá o rumo definitivo de suas inscrições internacionais.
