Os bastidores na briga para a nova fornecedora de pneus da classe Hypercar não param. A Goodyear avança em uma das etapas mais estratégicas da sua história no automobilismo de resistência. Após renovar a oferta exclusiva de pneus para as categorias LMGT3 e LMP2 até 2029, a fabricante norte-americana aguarda a decisão sobre o contrato mais cobiçado do setor: a divisão Hypercar do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) da FIA, entre 2030 e 2032.
A Federação Internacional do Automóvel (FIA) e o Automobile Club de l’Ouest (ACO) devem divulgar em breve o resultado da licitação. Se a Goodyear vencer a disputa, ela assume a vaga da rival Michelin, que ocupa o posto de fornecedora oficial da classe principal desde a criação do regulamento, em 2022.
Testes na Pista e Foco no Desempenho
Em busca dessa liderança, a Goodyear apostou forte em sessões práticas de avaliação. Em abril, a marca realizou testes intensivos no circuito de Paul Ricard. Equipes de ponta como Ferrari, Toyota e Porsche participaram dos treinos com os novos compostos em desenvolvimento.
Em entrevista ao site Racer, o vice-presidente global de corridas da marca, Xavier Fraipont, ressalta que o objetivo principal envolve provar a capacidade técnica da empresa em condições reais. Segundo o executivo, a experiência adquirida nos testes permitiu ajustar a proposta comercial e entregar um produto final com desempenho superior ao exigido no edital.
Sustentabilidade É Ponto Central na Disputa
Sendo assim, o edital da FIA e do ACO estabelece regras rigorosas para o próximo ciclo:
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Teto de Custo: Limite de aproximadamente € 900 (US$ 1.037) por pneu.
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Metas Verdes: Aumento da proporção de materiais sustentáveis de 50% para pelo menos 70%.
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Comportamento Dinâmico: Rendimento equivalente ao padrão atual, com foco na estabilidade do aquecimento e na consistência das sessões de pista (stints).
Paralelamente à disputa na classe Hypercar, a Goodyear projeta avanços para as demais divisões. A empresa planeja lançar pneus LMGT3 com 66% de matérias-primas recicladas e de origem biológica a partir de 2027, com a meta de alcançar 80% nos anos seguintes. Além disso, a fabricante já iniciou os estudos para os compostos da nova regulamentação da classe LMP2, prevista para 2028.
Toda essa estratégia utiliza as pistas de corrida como laboratório tecnológico. Porém, o propósito final consiste em transferir o aprendizado sobre materiais renováveis e processos de vulcanização com energia limpa diretamente para os pneus de veículos de passeio.
Michelin Mantém Presença Forte nas Américas
Enquanto aguarda a resolução do WEC, a Michelin assegura sua força no mercado internacional. A fabricante francesa já renovou o contrato para o fornecimento exclusivo da classe GTP no IMSA WeatherTech SportsCar Championship, na América do Norte, com vigência até 2035.
Pierre Alves, gerente do programa de resistência da Michelin, confirma que a empresa trabalha em uma nova linha de pneus projetada para 2029. Além disso, o plano busca maximizar a reciclagem dos compostos atuais (como o negro de fumo e resinas sintéticas) para atender às demandas de sustentabilidade tanto na IMSA quanto no WEC, caso vença o edital europeu.
Por fim, com o anúncio iminente das entidades reguladoras, o cenário do automobilismo mundial prepara-se para uma redefinição. A vitória da Goodyear pode alterar drasticamente a divisão de mercado das corridas de longa duração na próxima década.
