bongasat endurance

Seja o endurance real ou virtual, a notícia está aqui!
ORECA alerta para desafios com novo regulamento de Hypercars para 2030

A introdução das novas diretrizes técnicas para os protótipos de alta gama promete transformar o cenário do endurance mundial a partir de 2030. No entanto, o volume de trabalho exigido para o desenvolvimento desses veículos gera cautela nos bastidores. Remi Taffin, diretor técnico da ORECA, manifestou incerteza quanto ao número de fabricantes que a construtora francesa conseguirá apoiar de forma simultânea no ano de estreia do regulamento. O dirigente ressaltou que os novos carros demandarão projetos desenvolvidos completamente do zero.

A Federação Internacional do Automóvel (FIA), o Automobile Club de l’Ouest (ACO) e a IMSA anunciaram o conjunto unificado de regras no mês passado, durante as 24 Horas de Le Mans. Essa convergência técnica atenderá tanto o Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) quanto o WeatherTech SportsCar Championship. Embora a notícia tenha recebido aprovação unânime da indústria automotiva, a ORECA adota uma postura pragmática quanto à capacidade de repetição do seu atual sucesso de fornecimento no curto prazo.

Limitações de engenharia e prazos rígidos

Atualmente, a empresa francesa conta com uma base sólida de clientes ativos no mercado. De acordo com Taffin, o planejamento para o próximo ciclo técnico exige antecedência extrema. Para que um protótipo tenha condições de disputar as pistas na temporada de 2030, a fase de testes dinâmicos deve começar obrigatoriamente ao longo de 2029. Consequentemente, o desenvolvimento do chassi e dos sistemas integrados precisa iniciar já no primeiro semestre do próximo ano.

“Este será um carro totalmente novo. Não vamos reciclar nada. Portanto, precisamos começar o trabalho no início do próximo ano. Precisamos definir as regulamentações, mas as fabricantes também precisam definir seus parceiros”, explicou Taffin ao portal Sportscar365.

Até o momento, a ORECA possui um histórico robusto na era LMDh. A linhagem teve início com o Acura ARX-06 em 2023, seguiu com o Alpine A424 em 2024 e expandiu-se com o Genesis GMR-001 nesta temporada. Além disso, o novo Hypercar da Ford, que fará sua estreia no grid do WEC no próximo ano, utiliza a plataforma da construtora francesa. Apesar desse portfólio, a transição simultânea de múltiplos clientes para o novo formato representa um gargalo operacional.

O desafio da produção em larga escala

Embora a Genesis e a Ford sinalizem permanência no esporte além de 2030, o cenário para outras marcas permanece sob avaliação. A Acura paralisou seu programa oficial de fábrica e possui futuro incerto. Por outro lado, a Alpine planeja encerrar a parceria atual no final do ano, mas busca viabilizar a continuidade na categoria por meio de uma versão modificada operada pela Signatech para um novo investidor.

Diante desse panorama, Taffin indicou que produzir mais de dois modelos de forma concomitante ultrapassa a capacidade ideal da ORECA. Essa restrição torna-se ainda mais evidente caso o regulamento permita alterações estruturais exclusivas para cada marca, conforme sugerido por Xavier Mestelan-Pinon, diretor técnico e de segurança da FIA.

“Se somos capazes de fabricar quatro carros ao mesmo tempo, eu diria que não. É simples assim. Não é uma tarefa fácil. Se você observar marcas como a Ferrari ou a Toyota, verá que são centenas de pessoas envolvidas na fabricação de um único carro. Temos que ser pragmáticos”, ponderou o diretor.

Divergências sobre a obsolescência dos carros atuais

Existe um debate claro no paddock sobre o nível de reaproveitamento dos componentes atuais. Enquanto o presidente da IMSA, John Doonan, defende que os modelos LMDh vigentes não perderão a utilidade e terão peças reaproveitadas, a área técnica da ORECA refuta essa possibilidade. Novas diretrizes de impacto da FIA para as células de segurança e mudanças severas na aerodinâmica inviabilizam o conceito de transição suave.

Com a introdução de um novo monocoque, atualizações no sistema híbrido e designs inéditos de carroceria e motorização, o cenário aponta para uma ruptura total. Portanto, as montadoras interessadas em alinhar no grid de 2030 precisam definir seus planos comerciais e técnicos até o término de 2027. Sem uma estratégia definida neste prazo, a presença na nova era do endurance mundial restará severamente comprometida.