Crise na Alpine: Fim do programa no WEC e fechamento de Viry-Châtillon ameaçam futuro da marca
A Alpine enfrenta um momento decisivo que pode alterar permanentemente sua presença no automobilismo mundial. A marca francesa sinaliza a intenção de abandonar o Campeonato Mundial de Endurance (WEC) após a temporada de 2026. As informações foram apuradas pelo site The Race Além da saída das pistas, o grupo estuda o encerramento das atividades na histórica base de Viry-Châtillon, centro tecnológico que até pouco tempo era o coração dos motores de Fórmula 1 da Renault.
O desafio da lucratividade e o fator François Provost
De acordo com o The Site, embora registre crescimento nas vendas, a Alpine ainda busca a independência financeira. O plano original previa o equilíbrio das contas até 2026, com o lançamento do modelo A390 como pilar dessa estratégia. Contudo, a viabilidade dessa meta gera ceticismo nos bastidores do Grupo Renault.
A mudança de postura coincide com a transição de comando. Sob a gestão de Luca de Meo, os projetos esportivos não possuíam um prazo de validade estrito. Já seu sucessor, François Provost, adotou uma dinâmica distinta desde julho passado. O novo CEO do Grupo Renault é conhecido pelo pouco entusiasmo com o automobilismo, o que coloca os investimentos sob rigoroso escrutínio.
Incerteza no WEC e “decapitação” da Alpine Racing
A hesitação da diretoria ficou clara com o atraso na publicação da lista de inscritos do WEC para 2026. A aprovação para a continuidade do projeto Hypercar ocorreu apenas para uma temporada adicional, com fortes indícios de que a operação encerra suas atividades nos próximos meses de 2026. Nem mesmo o pódio em Fuji ou os avanços técnicos do A424 garantiram a sobrevivência do programa a longo prazo.
A estrutura organizacional também sofre baixas severas. Informações indicam a saída de figuras centrais:
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Bruno Famin: Atual vice-presidente de automobilismo e ex-chefe da equipe de F1.
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François Champod: Vice-diretor de automobilismo e nome histórico do grupo.
Com a perda de suas principais lideranças, especialistas do setor afirmam que a Alpine Racing está efetivamente “decapitada”.
O declínio de Viry-Châtillon: De potência da F1 a incerteza
Aliás, o destino de Viry-Châtillon tornou-se incerto após a confirmação de que a Alpine será cliente de motores da Mercedes-Benz na Fórmula 1 a partir de 2026. A fábrica, que produziu propulsores responsáveis por 12 títulos mundiais, agora opera sob o nome de Hypertech Alpine, mas com demanda reduzida.
Além disso, a produção interna do motor V6 para o WEC e projetos como o Dacia Sandrider (vencedor do Dakar 2026) não bastam para sustentar o custo de 300 a 350 funcionários. Porém, como o modelo da Dacia utiliza componentes fabricados no Reino Unido e Japão, o “DNA” de Viry tornou-se escasso nos novos projetos do grupo.
Sucesso comercial vs. Realidade nas pistas
Ironicamente, a Alpine vive seu melhor momento nas concessionárias. Em 2025, a marca atingiu a marca histórica de 10.970 unidades vendidas, um salto de 139,2% em relação ao ano anterior. O crescimento foi impulsionado por mercados como Reino Unido (+369,5%) e Alemanha (+133,5%).
Apesar do sucesso de vendas do A110 e da expectativa pelos novos modelos elétricos, as ambições de expansão global (que incluíam a entrada no mercado dos Estados Unidos) parecem revistas discretamente. Por fim, sem o suporte de um programa de motores de fábrica e com a saída iminente do Endurance, a lógica estratégica da Alpine no esporte a motor perde força. O que deixa o futuro da marca em um território de total incerteza.
