Peugeot vê com bons olhos ampliação de “jokers” nos regulamentos do WEC

O diretor técnico da Peugeot Sport, Olivier Jansonnie, afirmou que a proposta de permitir jokers adicionais para o Hypercar Evo no projeto de regulamento do Campeonato Mundial de Endurance da FIA (FIA WEC) de 2026 é “positiva” para a fabricante francesa. Segundo ele, as alterações sugeridas pela FIA “fazem todo o sentido” diante das limitações atuais de evolução dos carros.

A proposta, apresentada no mês passado com a publicação do novo regulamento técnico dos Hypercars de 2026, prevê que os fabricantes poderão solicitar atualizações extras além dos cinco disponíveis até o fim de 2027 (conforme as regras atuais) desde que comprovem deficiências significativas de desempenho, a serem reconhecidas pelo órgão regulador.

Essa revisão tem impacto direto na Peugeot, que já utilizou todos os cinco jokers disponíveis em seu 9X8 e vinha pressionando por mais liberdade para realizar ajustes antes do ciclo de homologação seguinte ou antes da necessidade de desenvolver um carro totalmente novo.

“Essa discussão está abrindo a possibilidade para novas evoluções”, explicou Jansonnie durante entrevista a jornalistas no Bahrein, na quarta-feira, 05. “Ainda não está claro o conteúdo completo dessas mudanças, mas desde Fuji as coisas vêm evoluindo na direção certa, o que é positivo para nós.”

O engenheiro destacou que as alterações fazem sentido dentro da lógica do Balance of Performance (BoP), sistema utilizado pelo WEC para equilibrar o desempenho entre diferentes fabricantes.

“Se temos uma fórmula de BoP, faz todo o sentido que ele seja usado até o ponto em que o carro precise de uma evolução para continuar competitivo. É isso que estamos defendendo”, afirmou ao site SportsCar365.com.

Questionado sobre a possibilidade de a Peugeot desenvolver um novo carro dentro do atual ciclo de homologação. Jansonnie foi cauteloso: “No momento, o foco está nas evoluções. A discussão agora é sobre até onde podemos ir.”

Ele também não descartou uma repetição da grande atualização realizada em 2024, quando a marca introduziu múltiplos componentes coringa sem homologar um novo chassi. “Pode ser. Essa é a discussão”, completou.

Equilíbrio competitivo no centro do debate

Um ponto não mencionado diretamente nas regras de 2026, mas discutido entre os fabricantes, é a proibição de evoluções para marcas com desempenho superior. De modo a evitar o aumento das diferenças no grid.

Para Jansonnie, esse princípio é essencial para manter o equilíbrio competitivo:

“As mudanças abrem caminho para algo que faz todo o sentido: permitir evoluções para quem enfrenta dificuldades, e impedir que quem está na frente amplie sua vantagem”, afirmou. “Quando você não atinge a meta de desempenho, deve poder fazer algo; quando está competitivo, não deve poder evoluir mais.”

Por fim, o dirigente destacou que há divergências naturais entre os fabricantes. Mas acredita que as discussões caminham “na direção certa” para um consenso sobre o futuro técnico do WEC.