Lamborghini analisa os regulamentos de 2030 e estuda retorno aos protótipos

A Lamborghini acompanha com atenção as mudanças nos regulamentos técnicos das classes Hypercar e GTP para a temporada de 2030. Com o encerramento temporário do programa SC63 LMDh no ano passado, a fabricante italiana analisa o cenário internacional antes de definir um provável retorno às principais categorias de protótipos do automobilismo mundial.

De acordo com informações do site Sportscar365, Andrea Reggiani, recém-nomeado chefe da Lamborghini Squadra Corse, revelou que a marca observa os próximos passos das federações. De acordo com o dirigente, a empresa mantém a mente aberta para examinar as diretrizes futuras e avaliar se as novas regras coincidem com os interesses comerciais e tecnológicos do grupo. Portanto, embora não exista uma confirmação imediata, a montadora não descarta um novo investimento na classe principal nos próximos anos.

Convergência técnica em Le Mans

Essa análise estratégica ocorre logo após a Federação Internacional do Automóvel (FIA), o Automobile Club de l’Ouest (ACO) e a International Motor Sports Association (IMSA) confirmarem a unificação das plataformas. O acordo, selado no mês passado em Le Mans, prevê uma base técnica comum para a categoria Hypercar no Mundial de Endurance (WEC) e para a classe GTP no IMSA WeatherTech SportsCar Championship.

A partir dessa decisão, o regulamento exigirá um sistema híbrido no eixo traseiro, padrão estrutural idêntico ao adotado no desenvolvimento do Lamborghini SC63. Contudo, a nova diretriz também concede liberdade para a personalização de chassis e para o uso de tecnologias de recuperação de energia próprias dos hipercarros atuais. Dessa forma, o arcabouço técnico de 2030 une conceitos que antes dividiam as opiniões dos construtores.

“Analisamos as regulamentações e qual será a situação, e então veremos se isso coincide com nossos interesses. Não descartamos essa possibilidade; por outro lado, não há nada a confirmar neste momento”, afirmou Reggiani.

O destino do SC63 e o foco no Temerario

Atualmente, o projeto do protótipo SC63, construído em parceria com a Ligier Automotive, permanece suspenso. Reggiani evitou estipular prazos para uma possível reativação do modelo, mas admitiu a existência de sondagens externas. Durante o inverno, a Asian Le Mans Series passará a contar com uma divisão Hypercar voltada para tripulações com pilotos de graduação Bronze, o que despertou o interesse de equipes privadas no veículo italiano.

Apesar do interesse de terceiros, a viabilização de qualquer programa exige um aporte financeiro robusto por parte dos parceiros. Conforme as diretrizes estabelecidas pela gestão anterior de Rouven Mohr, a Lamborghini Squadra Corse direciona a totalidade de seus recursos técnicos internos para outros projetos comerciais da marca.

Neste momento, a prioridade absoluta da divisão de corridas concentra-se no suporte ao modelo Temerario GT3, que faz sua estreia competitiva nesta temporada. Além disso, o departamento planeja a introdução da variante monomarca Super Trofeo para as pistas em 2027. Durante as 24 Horas de Spa, Reggiani descreveu a operação como sobrecarregada. Visto que a fábrica precisa produzir cerca de 100 novos carros de competição e expandir a frota do modelo GT3 para o próximo ano.

Histórico e foco no mercado norte-americano

O Lamborghini SC63 não realiza competições oficiais desde o encerramento de sua participação na IMSA Michelin Endurance Cup. Naquela ocasião, o carro competiu sob a gestão oficial da Riley Motorsports.

A interrupção do programa de protótipos ocorreu de forma planejada. A marca optou por concentrar seus esforços na América do Norte, considerada o maior mercado consumidor de seus veículos de rua. Em contrapartida, a montadora oficializou a saída do WEC devido à introdução da regra que exige a inscrição obrigatória de dois automóveis por fabricante na classe Hypercar. Uma exigência que inviabilizaria a estratégia logística adotada até então.