{"id":207,"date":"2016-10-10T23:21:21","date_gmt":"2016-10-10T23:21:21","guid":{"rendered":"http:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/?p=207"},"modified":"2016-10-10T23:24:17","modified_gmt":"2016-10-10T23:24:17","slug":"pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/","title":{"rendered":"Pesadelos e paisagens noturnas volume 1"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_208\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-208\" class=\"wp-image-208\" src=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29.jpg\" alt=\"(Foto: Fernando Rhenius)\" width=\"1000\" height=\"562\" srcset=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29.jpg 2592w, https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29-300x169.jpg 300w, https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29-768x431.jpg 768w, https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29-350x197.jpg 350w, https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29-860x484.jpg 860w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-208\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Fernando Rhenius)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o dicion\u00e1rio, pesadelo \u00e9<em> \u201csonho aflitivo que produz sensa\u00e7\u00e3o opressiva; mau sonho\u201d<\/em> Quem nunca acordou tarde da noite, tendo a impress\u00e3o de ter ca\u00eddo em um buraco, avi\u00e3o ou se afogando em um mar revolto e escuro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos acreditam que sonhos ou pesadelos s\u00e3o nossos mais secretos anseios e temores. Tais sonhos s\u00e3o sugest\u00f5es de experi\u00eancias que vivemos no mundo real, e que nosso c\u00e9rebro acaba dando aquela misturada para muitas vezes deixar tudo mais pavoroso. Quem nunca brigou com a namorada e teve um sonho amoroso com a mesma, que atire a primeira pedra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 mais ou menos isso que vamos encontrar em <strong><a href=\"http:\/\/www.objetiva.com.br\/livro_ficha.php?id=523\">Pesadelos e paisagens noturnas volume 1<\/a><\/strong>, livro de contos de <strong>Stephen King<\/strong> publicado originalmente em 1992. N\u00e3o \u00e9 um livro novo. No Brasil foi lan\u00e7ado pela Editora Objetiva em 1993. Anos depois ganhou uma nova vers\u00e3o com a capa acompanhando o novo layout das capas de Stephen King feitas pela editora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente o livro nos Estados Unidos foi publicado em um volume s\u00f3. Pelas terras tupiniquins, s\u00e3o dois volumes. Para quem gosta de ter a estante cheia \u00e9 um prato cheio. Pesadelos e paisagens noturnas, \u00e9 o terceiro livro de contos de King. Sombras da Noite e Tripula\u00e7\u00e3o de Esqueletos foram seus antecessores. No pref\u00e1cio o autor fala que Sombras \u00e9 o desfecho de uma trilogia de contos e hist\u00f3rias de terror e suspense. A diferen\u00e7a entre as tr\u00eas publica\u00e7\u00f5es \u00e9 de 7 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio dos outros dois t\u00edtulos, este foi muito criticado por f\u00e3s, pelas hist\u00f3rias fracas e para muito meio bobinhas. Em termos de compara\u00e7\u00e3o, foi em Sombras da noite que King apresentou ao mundo Crian\u00e7as no Milharal que inspirou o filme Colheita Maldita. J\u00e1 em Tripula\u00e7\u00e3o de esqueletos temos O Nevoeiro, um dos contos mais perturbadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que levou Tripula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter o mesmo sucesso? Ainda no pref\u00e1cio, King fala que em sua adolesc\u00eancia, sua imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil lhe dava uma certa inoc\u00eancia. Acreditava em tudo o que lhe diziam seja para o bem e para o mal.<\/p>\n<div id=\"attachment_209\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/389205_1GG.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-209\" class=\"size-full wp-image-209\" src=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/389205_1GG.jpg\" alt=\"Contos viveram DVD.\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/389205_1GG.jpg 500w, https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/389205_1GG-150x150.jpg 150w, https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/389205_1GG-300x300.jpg 300w, https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/389205_1GG-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-209\" class=\"wp-caption-text\">Contos viraram DVD.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Sobre a Escrita, Stephen, fala que existe um elo, uma conex\u00e3o entre o autor e o leitor. Deu como exemplo uma mesa com uma toalha vermelha em cima. Todos imaginaram esta toalha vermelha, bem como a mesa, por\u00e9m com um tom de vermelho mais claro, mais escuro. Uma mesa maior, menor. Ser\u00e1 que os cr\u00edticos de Pesadelos e paisagens noturnas n\u00e3o estavam desalinhados com o texto e a proposta de King?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste primeiro volume, s\u00e3o 12 contos. Misturam terror, fic\u00e7\u00e3o e at\u00e9 humor. Como se pudesse existir humor ou risadas em um pesadelo as 3 da manh\u00e3 de uma noite fria, com galhos de \u00e1rvore secos batendo em sua janela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro teve uma vers\u00e3o produzida pelo canal Warner, o que resultou em tr\u00eas DVDs com os principais epis\u00f3dios do livro.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cadillac de Dolan<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro conto come\u00e7a com um sugestivo prov\u00e9rbio espanhol: \u201cA vingan\u00e7a \u00e9 um prato mais saboroso se comido frio\u201d. \u00c9 mais ou menos aquele prazer de comer uma pizza fria que encontramos na geladeira em um domingo de manh\u00e3. Seu sabor, nos d\u00e1 um prazer que n\u00e3o foi encontrado ou descoberto quando estava quente e vistosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elizabeth viu demais, pagando com a vida seu anseio pelo certo. Restou ao marido Robinson, a dor de perder seu amor, a saudade das coisas que sequer foram vividas e a vingan\u00e7a pela pessoa que tanto lhe causou dor, Dolan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim come\u00e7a a hist\u00f3ria, que recebeu uma adapta\u00e7\u00e3o para o cinema. Robinson, segue Dolan a anos. Este um bandido que vive entre Las Vegas e Los Angeles. Dolan \u00e9 poderoso, rico e n\u00e3o parece temer seus opositores. J\u00e1 Robinson, \u00e9 um pacato professor que passou os \u00faltimos anos sendo uma sombra do algoz da esposa.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apresentei a quest\u00e3o como um problema puramente hipot\u00e9tico. Disse que estava tentando escrever um conto de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e queria que minhas medidas fossem corretas at\u00e9 a precis\u00e3o. Cheguei mesmo a montar alguns fragmentos plaus\u00edveis da hist\u00f3ria. Fiquei bastante impressionado com minha pr\u00f3pria inventividade.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tentar se vingar e seguir a vida, Rob arquiteta um plano para pegar Dolan, sem armas, sem sangue, apena um buraco, seu t\u00famulo. Para p\u00f4r em pr\u00e1tica, acaba trabalhando em uma empreiteira que realiza servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o nas rodovias dos EUA, para o plano dar certo, tudo precisa ser perfeito. O plano \u00e9 narrado de forma precisa, seus sucesso e poss\u00edveis falhas. As explica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, fazem o leitor estar do lado de Robinson, com seu capacete amarelo, brincando de engenheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rob n\u00e3o est\u00e1 sozinho, ao seu lado, lhe apoiando est\u00e1 sua esposa. Com uma voz suave, Elizabeth instiga o marido a p\u00f4r um fim em sua pr\u00f3pria dor. Esta \u00e9 a parte \u201csobrenatural\u201d da hist\u00f3ria, ao contr\u00e1rio do filme, Robinson \u00e9 uma pessoa sem alma. Desde que sua amada perdeu a vida, parou de viver, sua personalidade \u00e9 apenas uma vaga lembran\u00e7a. Ridicularizado por todos no col\u00e9gio em que leciona, tudo o que quer, \u00e9 Dolan e seu oponente Cadillac. Ele acorda, dorme, almo\u00e7a pensando no seu inimigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria \u00e9 boa, tem momentos em que Robinson quase consegue o seu objetivo, a sequ\u00eancia em que ele se encontra com Dolan \u00e9 muito bem escrita. A afli\u00e7\u00e3o de ser pego, de n\u00e3o deixar rastros, prende o leitor. O final pode at\u00e9 parecer \u00f3bvio, por\u00e9m como ele chegou at\u00e9 l\u00e1 \u00e9 que faz valer a hist\u00f3ria.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>O fim da confus\u00e3o toda<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rivalidade de irm\u00e3os, n\u00e3o s\u00e3o novidade. Entre Howard Fornoy e Robert Fornoy, n\u00e3o seria diferente. Robert era o mais impetuoso da fam\u00edlia, enquanto Howard o calmo. N\u00e3o era \u00f3dio que um sentia pelo outro. Existia claro um carinho, um amor, mas Horward sempre tinha aquela ponta de inveja de Bobby, um g\u00eanio, e assim como todos os g\u00eanios, vivia em um mundo s\u00f3 dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Howard queria ter tido a intelig\u00eancia do irm\u00e3o, seu fasc\u00ednio pelo novo, por se embrenhar nas mais diversas aventuras sem pensar duas vezes. Mas n\u00e3o tinha, era uma pessoa mais calma, ganhava a vida como escritor freelancer, enquanto Bob era um cientista. N\u00e3o que ser escritor fosse um dem\u00e9rito frente ao irm\u00e3o, pelo contr\u00e1rio. Howard gostava de Bob, mas sempre ficou em segundo lugar em tudo, e para muitos, ser segundo \u00e9 ser o primeiro a perder.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que pessoas como meu irm\u00e3o Bobby surgem apenas uma vez em cada duas ou tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es, pessoas como Leonardo da Vinci, Newton, Einstein, talvez Edison. Todos eles parecem ter uma coisa em comum: s\u00e3o como b\u00fassolas enormes que ficam girando sem dire\u00e7\u00e3o durante muito tempo, procurando algum norte verdadeiro, e ent\u00e3o se dirigem para ele com uma for\u00e7a de meter medo. Antes que isso aconte\u00e7a, essas pessoas s\u00e3o capazes de surgir com umas merdas estranhas, e Bobby n\u00e3o era exce\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suas andan\u00e7as pelo mundo, Bob descobriu algo que pode mudar o mundo, acabar com guerras, doen\u00e7as e todo o ran\u00e7o que aos poucos vai minando a popula\u00e7\u00e3o da terra. Mas esse \u201csanto rem\u00e9dio\u201d n\u00e3o seria mais mal\u00e9fico do que ben\u00e9fico? Mesmo assim Howard foi ajudar o irm\u00e3o, pois \u00e9 o que irm\u00e3os fazem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que Bob teria descoberto? Qual o impacto disso para a humanidade?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Que sofram as criancinhas<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crian\u00e7as sempre tiveram sua imagem associada ao demon\u00edaco. N\u00e3o apenas nos livros de King. Se formos buscar alguns exemplos temos, participa\u00e7\u00f5es mirins em <strong>O Iluminado<\/strong>, <strong>O Cemit\u00e9rio<\/strong> e <strong>A Incendi\u00e1ria<\/strong>. Apenas para lembrar de alguns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhorita Sidley, uma recatada senhora, ops! Senhorita, era aquele tipo de professora que, por conta do seu tamanho diminuto, tinha em seu olhar e palavras a imposi\u00e7\u00e3o sobre as crian\u00e7as. Era temida, os pequenos a respeitavam de uma forma surreal no mundo de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Robert era diferente. Sentado de forma perfeita na primeira fileira, o menino de t\u00e3o correto era assustador, e foi mais ou menos assim que Sidley acabou descobrindo. O pequeno tinha alguma coisa no rosto, em suas fei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o era ele.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi ent\u00e3o que as sombras se modificaram. Pareceram alongar-se, deslizar como melado gotejante, assumindo umas estranhas formas encurvadas que fizeram a senhorita Sidley se encolher de encontro \u00e0s pias de lou\u00e7a, o cora\u00e7\u00e3o inchando no peito.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do pequeno se transformando, causou p\u00e2nico a pequena professora. Ela estaria tendo alucina\u00e7\u00f5es, muito por conta das intermin\u00e1veis dores nas costas? Ou seu aluno, realmente escondia alguma coisa? Nos dias seguintes, as d\u00favidas s\u00f3 aumentavam, e o pavor tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conto \u00e9 curto, r\u00e1pido e sem rodeios. Trata de um tema pol\u00eamico nos EUA, escolas e mortes. Ao contr\u00e1rio de <strong>Rage<\/strong> (F\u00faria), que foi banido do cat\u00e1logo do autor, a hist\u00f3ria deste conto acaba tendo o ponto de vista dos adultos. O final nem sempre \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvio quando parece.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>O Piloto da Noite<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornalista s\u00e3o destemidos, jornalistas veteranos, s\u00e3o como perdigueiros, acabam achando not\u00edcia at\u00e9 em uma x\u00edcara de caf\u00e9 vazia. Assim era Dees. Rep\u00f3rter da revista Inside View, especializada no sobrenatural, mortes e tudo que expelisse sangue, grande quantidade de sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pauta da vez era um assassino em s\u00e9rie. Ao contr\u00e1rio do padr\u00e3o para este tipo de elemento, o modo que suas v\u00edtimas eram encontradas intrigava a todos. Estavam totalmente sem sangue e com dois furos no pesco\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um vampiro? Um Zumbi? Eram mais d\u00favidas do que respostas. Outra particularidade intrigava a pol\u00edcia e Dees. O assassino, apelidado de Piloto da Noite, matava apenas pessoas em aeroportos remotos dos EUA e pilotava seu pr\u00f3prio avi\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quero uma foto sua, seu desgra\u00e7ado, pensou Dees. Agora podia enxergar as luzes de aproxima\u00e7\u00e3o, brilhando bem brancas no crep\u00fasculo. Pegarei sua hist\u00f3ria no devido tempo, mas em primeiro lugar, a fotografia. S\u00f3 uma, mas preciso consegui-la.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como bom jornalista, Dees come\u00e7ou sua ca\u00e7ada ao bandido. Seguiu seus instintos, precisava de uma foto, at\u00e9 para tirar da cabe\u00e7a que seria algo bizarro e n\u00e3o apenas um f\u00e3 do Conde Dr\u00e1cula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente o astuto rep\u00f3rter conseguiu chegar ao local do crime. O encontro foi inevit\u00e1vel, a foto seria feita sem grandes problemas, mas algo acabou acontecendo. N\u00e3o era um simples assassino.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Popsy<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando vendemos nossa alma ao diabo, precisamos pagar da melhor forma poss\u00edvel, mesmo que para isso precisamos fazer coisas que v\u00e3o totalmente contra nossa vontade. Quase sempre \u00e9 assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sheridan fez essa escolha. Vendeu a alma para pagar suas d\u00edvidas de jogo. O valor? Raptar crian\u00e7as para um Turco, que tinha o singelo apelido de Senhor Mago. O que ele fazia com as crian\u00e7as, n\u00e3o era da conta de Sheridan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele estava devendo, e tinha que pagar. Mesmo que a repulsa por pegar crian\u00e7as pequenas era grande, precisava fazer. Ou era isso, ou o pagamento seria seu corpo, sem vida em cima de uma mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele dia, o pagamento estava f\u00e1cil. Uma crian\u00e7a de 5 ou 6 anos, perdida em um shopping. Bastava mostrar confian\u00e7a que ela iria cair em seus encantos e entrar no seu carro. Sheridan acreditava que crian\u00e7as pequenas eram bobas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levou o menino para o furg\u00e3o, que tinha 4 anos e estava pintado com um azul discreto. Abriu a porta e sorriu para o garoto, que levantou os olhos para ele com um ar de d\u00favida, os olhos verdes dan\u00e7ando no seu rostinho p\u00e1lido, t\u00e3o enormes como os olhos de uma crian\u00e7a abandonada numa pintura de veludo, do tipo que era anunciado em tabl\u00f3ides semanais baratos como <em>The National Enquirer<\/em> e <em>Inside View<\/em>.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menino falou com uma voz chorosa que tinha perdido seu Popsy. Sheridan, acreditava que era algum brinquedo, urso de pel\u00facia ou um cachorro, ou at\u00e9 quem sabe um amigo imagin\u00e1rio. Crian\u00e7as d\u00e3o nomes esquisitos a seus mascotes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concretizar seu plano, bastava o garoto entrar em seu furg\u00e3o. Com um ar inocente, assim o fez. O que aconteceu l\u00e1 dentro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este foi o conto que mais me remeteu pavor. Se crian\u00e7as s\u00e3o frequentemente usadas para assustar, tamb\u00e9m podem causar pavor pelo que pode acontecer. Quem \u00e9 pai e m\u00e3e vai entender o que estou dizendo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente se acostuma<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lendas nascem de conversas simples de pessoas simples. Assim era a rotina na Nova Inglaterra. Seja em bares, lojas ou qualquer lugar que tenha mais de duas pessoas, de prefer\u00eancia antigas, as hist\u00f3rias aconteciam, mentiras se transformavam em verdades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em qualquer cidade do interior, existe aquela casa, para muitos fantasmag\u00f3rica. Essa era o esp\u00edrito que rondava a Casa dos Newall em Castle Rock. Ningu\u00e9m gostava daquela imponente constru\u00e7\u00e3o. Seja pelo seu dono, Joel Newall, ter feito fortuna na cidade vizinha de Gates Falls, ou porque a casa era feia mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A casa era grande, e com o passar do tempo, Joel aumentava mais e mais. N\u00e3o seria estranho se apenas ele e a mulher morassem l\u00e1. Ap\u00f3s a morte de ambos, e de Joel ter perdido tudo, por conta de m\u00e1 gest\u00e3o das suas empresas e a quebra da bolsa de 1929, ningu\u00e9m comprara aquela casa.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em janeiro de 1921, Cora deu \u00e0 luz um monstro, sem bra\u00e7os e, ao que se dizia, um pequeno punhado de dedos perfeitos saindo de uma das cavidades oculares. Morreu menos de seis horas depois de contra\u00e7\u00f5es inconscientes terem empurrado para a luz seu rosto vermelho e sem racioc\u00ednio. Joe Newall acrescentou \u00e0 ala uma c\u00fapula 17 meses depois, no final da primavera de 1922 (na parte ocidental do Maine n\u00e3o h\u00e1 in\u00edcio da primavera, apenas final da primavera e o inverno chegando). Continuou a comprar fora da cidade e n\u00e3o queria ter nada a ver com a loja de Bill \u201cBrownie\u201d McKissick. Ele tamb\u00e9m jamais havia cruzado o portal da igreja metodista da Curva. O beb\u00ea disforme que tinha escorregado do ventre de sua mulher havia sido enterrado no lote dos Newall em Gates em vez de Homeland. A inscri\u00e7\u00e3o na pequena l\u00e1pide dizia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>SARAH TAMSON TABITHA FRANCINE NEWALL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>14 DE JANEIRO DE 1921<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>PERMITA DEUS QUE ELA REPOUSE EM PAZ<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estava l\u00e1 parada, oponente e ao mesmo tempo feia, t\u00e3o feia que todos acabaram se acostumando. Fechada por tantos anos, alguns moradores juravam que a casa estava novamente em constru\u00e7\u00e3o depois de tantos anos morta. Seria verdade ou apenas conversa de bar?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A dentadura mec\u00e2nica<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/tumblr_inline_nwipdi0Nix1s3wjdn_1280-e1476141135582.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-210\" src=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/tumblr_inline_nwipdi0Nix1s3wjdn_1280-e1476141135582.jpg\" alt=\"tumblr_inline_nwipdi0nix1s3wjdn_1280\" width=\"1000\" height=\"659\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brinquedos tem vida. Muitas vezes, n\u00e3o pelas pilhas e engrenagens. Ganham vida sem grandes explica\u00e7\u00f5es. E nem sempre voltados para o mal. Foi isso que descobriu Hogan, ao entrar naquele posto empoeirado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quinquilharias se amontoavam, em um ambiente que n\u00e3o era limpo a muito tempo, talvez pela regi\u00e3o ser frequentemente assolada por tempestades de areia e por pregui\u00e7a de seus donos, Scooter e sua grande esposa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rotina tinha acabado com o casamento dos dois. Scooter era magro e estava doente, mesmo assim era um bom sujeito. Sua esposa, Myra era a estressada do casal. Mesmo assim tinham uma vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scooter se encantou por uma dentadura mec\u00e2nica. Grande e imponente. Com dentes brancos e grandes que poderiam facilmente machucar algu\u00e9m. S\u00f3 tinha um problema. Estava quebrada. Mesmo assim resolveu levar para seu filho, quem sabe poderia arrumar quando chegasse em casa.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A dentadura era o \u00fanico artigo no balc\u00e3o que n\u00e3o estava embalado, mas <em>era <\/em>mesmo gigante, pensou Hogan. Na verdade, supergigante, cinco vezes o tamanho de exemplares de dentaduras de dar corda que tanto o tinham entretido quando era um garoto crescendo no Maine. Caso se tirassem os p\u00e9s de brincadeira, ela pareceria os dentes de algum gigante b\u00edblico abatido: os molares eram grandes blocos brancos e os caninos pareciam estacas de barraca afundadas nas gengivas de pl\u00e1stico de um vermelho exagerado. Uma chave se projetava de uma das gengivas. Os dentes eram mantidos apertados por meio de um el\u00e1stico grosso.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando estava indo para o carro, um jovem com cara de poucos amigos, lhe pediu carona. Hogan n\u00e3o era de dar caronas, mas a proximidade da tempestade de areia, parecida um bom argumento, mesmo sabendo que acabaria em trag\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este conto faz parte do filme \u201cA maldi\u00e7\u00e3o de Quicksilver\u201d, produ\u00e7\u00e3o de 1997 que tamb\u00e9m reproduz o conto \u201c<em>The Body Politic\u201d <\/em>de Clive Barker.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Pnpvhygruto\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Dedicat\u00f3ria<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual m\u00e3e n\u00e3o quer seu filho tendo sucesso na vida? Principalmente depois de sair viva de um casamento sem sentido? Esta \u00e9 a vida de Martha Roswall, camareira do Le Palais, um dos hot\u00e9is mais sofisticados de Nova York.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martha tem um filho, e o prazer da escrita tinha lhe fisgado. Tinha escrito seu primeiro livro, e dedicado a Martha. Nada mais justo, um filho dedicar seu trabalho a pessoa que sempre esteve estar\u00e1 ao seu lado. Mas n\u00e3o \u00e9 assim que tudo funciona \u00e0s vezes.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2014 Era uma mulher esquisita como nunca tinha visto. N\u00e3o tenho a menor ideia, at\u00e9 hoje, da sua idade. Ela podia ter 70, 90 ou 110. Tinha uma cicatriz r\u00f3sea e branca que subia pelo lado do nariz para a testa e entrava pelo cabelo. Parecia uma queimadura. Tinha repuxado o olho direito para baixo de maneira que parecia que ela estava piscando. Estava sentada numa cadeira de balan\u00e7o, com o tric\u00f4 no colo. Entrei e ela falou: \u201cTenho tr\u00eas coisas para lhe dizer, mocinha. A primeira \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o acredita em mim. A segunda \u00e9 que o frasco que voc\u00ea encontrou no casaco de seu marido est\u00e1 cheio de hero\u00edna Anjo Branco. A terceira \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1 na terceira semana com um beb\u00ea do sexo masculino ao qual dar\u00e1 o nome do seu pai natural.\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cansada de apanhar do marido, Martha acabou indo se consultar com uma mulher, ela tinha v\u00e1rios \u201csignificados\u201d. Bruxa, feiticeira ou apenas vidente. Era aquele tipo de mulher que previa o futuro e ningu\u00e9m acreditava, mas mexia com o imagin\u00e1rio das pessoas naquelas redondezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mama Delorme era seu nome. Morava em um apartamento escuro e fedendo a mofo, mas sabia das coisas. Previu coisas a Martha, que acabaram se concretizando. Falou tamb\u00e9m que o pai do seu filho, n\u00e3o era o \u00fanico homem da sua vida. Como se Martha nunca teve outro homem do que o b\u00eabado do Johnny Rosewall?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>O dedo semovente<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ter aquela sensa\u00e7\u00e3o de estar sendo observado o tempo todo \u00e9 algo que incomoda muita gente. Se percebemos que uma pessoa faz isso j\u00e1 \u00e9 complicado, imagina um dedo? Howard Mitla era uma pessoa simples, com um casamento tranquilo. Tinha um bom emprego, mesmo achando que poderia ganhar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tinha v\u00edcios, ou alucina\u00e7\u00f5es. Mas naquele dia a noite, ouviu algo se mexendo no banheiro. Poderia ser um rato, uma barata. Era um dedo, um dedo grande saindo pelo ralo da pia.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Vou me livrar de voc\u00ea, meu amigo,<\/em> pensou de repente. O sentimento que acompanhou esse pensamento foi de raiva, raiva pura e simples, e o deixou contente. A emo\u00e7\u00e3o cruzou por sua mente sacudida e confusa como um daqueles enormes quebra-gelos sovi\u00e9ticos que esmagam e cortam o caminho atrav\u00e9s de massas de placas de gelo com uma facilidade quase distra\u00edda. <em>Vou pegar voc\u00ea. Ainda n\u00e3o sei como, mas vou peg\u00e1-lo.<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um dedo pode estar saindo dali, com os mesmos trejeitos de uma cobra naja? Apontando para Howard. S\u00f3 podia ser uma alucina\u00e7\u00e3o. Sua esposa, Violet Mitla, n\u00e3o iria acreditar ou morreria de histeria, quando visse. O p\u00e2nico come\u00e7ou a tomar conta de Howard. Mesmo ele n\u00e3o querendo pensar naquilo, era s\u00f3 abrir a porta do banheiro que o dedo saia alegremente do ralo, olhando para seu amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um plano para tirar o dedo do ralo, ou da sua cabe\u00e7a precisava ser feito. Seria s\u00f3 um dedo ou um corpo inteiro?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Par de t\u00eanis<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Banheiros s\u00e3o assustadores por natureza. Nunca sabemos quem est\u00e1 dentro dos boxes. O m\u00e1ximo que se sabe \u00e9 o tipo de cal\u00e7ado que a pessoa usa. T\u00eanis, chinelo ou social. Isso fala muito da personalidade de uma pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John Tell conseguiu um emprego na Tabori Studios, e como todo ser humano precisava ir no banheiro. O melhor para n\u00e3o perder tempo era o do terceiro andar. Era um local calmo e raramente cruzava com algu\u00e9m. Tal tranquilidade come\u00e7ou a mudar quando, Tell come\u00e7ou a perceber que a mesma pessoa, usando o mesmo t\u00eanis ocupava o mesmo box todas as vezes que ele estava l\u00e1.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Que droga,<\/em> pensou Tell e deu um risinho. O camarada que tinha aberto a porta com for\u00e7a, quase fazendo-o gritar de susto, tinha ido para as pias. Agora o barulho que fazia ao ensaboar e enxaguar as m\u00e3os parou por um instante. Tell podia visualizar o rec\u00e9m-chegado \u00e0 escuta, tratando de saber quem estava rindo por tr\u00e1s de umas das portas fechadas das cabines, perguntando-se se seria uma piada, uma foto porn\u00f4 ou se o homem era apenas doido. Afinal de contas, havia muitos doidos em Nova York. Viam-se o tempo todo, falando sozinhos e rindo sem nenhum motivo aparente&#8230; como Tell tinha acabado de fazer.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00eanis era velho e sujo, n\u00e3o se mexia. Independente da hora que John ia ao banheiro, o par de t\u00eanis estava l\u00e1. Isso come\u00e7ou a causar um desconforto, uma sensa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o. De quem eram? Por que nunca se mexiam? \u00a0John iria descobrir da pior forma.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabe, eles t\u00eam uma banda dos diabos<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viagens s\u00e3o boas, principalmente ao lado de quem amamos. Foi assim que Mary e Clark resolveram pegar a estrada para curtir um pouco a vida de casados. Os anos juntos j\u00e1 produziram aquelas caras e bocas de qualquer casal, principalmente quando Clark, todo dono de si acabava se perdendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As discuss\u00f5es eram evidentes, mas sempre com aquela reconcilia\u00e7\u00e3o regada a beijos e olhares amorosos. A vida deles era assim. Todas as viagens tinham uma boa trilha musical, baseada em cl\u00e1ssicos do Rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo ia bem, seria apenas mais uma vez que Clark se perderia, a diferen\u00e7a era o tipo da estrada, literalmente dentro do mato em que se enfiaram. No final, depois de muito medo de ficar atolados, em um lugar in\u00f3spito, visualizaram uma cidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cidade era uma j\u00f3ia perfeita, aninhada num vale raso e pequeno como uma covinha num rosto. Sua semelhan\u00e7a com os quadros de Norman Rockwell e as ilustra\u00e7\u00f5es de cidade do interior de Currier &amp; Ives era, pelo menos para Mary, irrefut\u00e1vel. Tentou dizer a si mesma que era apenas a geografia: o modo como a estrada descia em curvas at\u00e9 o vale, o modo como a cidade estava rodeada por uma floresta verde-escura \u2014 l\u00e9guas de pinheiros velhos, de troncos grossos, crescendo numa profus\u00e3o ininterrupta para l\u00e1 dos campos ao redor. Mas era mais do que a geografia, ela achou que Clark tamb\u00e9m sabia disso. Havia algo t\u00e3o carinhosamente equilibrado nos campan\u00e1rios das igrejas, por exemplo: uma na ponta norte do centro da cidade e outra no extremo sul. A constru\u00e7\u00e3o pintada de vermelho como um celeiro, na dire\u00e7\u00e3o leste, tinha que ser a escola p\u00fablica, e a grande constru\u00e7\u00e3o branca do lado oeste, com uma torre de sino no alto e uma antena parab\u00f3lica de um lado, tinha que ser a prefeitura. As casas particulares tinham todas uma apar\u00eancia arrumada e aconchegante, o tipo de moradia que se via nos an\u00fancios de casas dos sonhos nas revistas de antes da Segunda Guerra Mundial como <em>The Saturday Evening Post<\/em> e <em>American Mercury<\/em>.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o era uma cidade comum, estava no meio do nada, era toda bonita, perfeita demais. Mesmo assim precisavam chegar a um lugar com telefone, comida e ajuda. Ao adentrar l\u00e1, tudo remetia a rock, nome de lojas, ruas e as pessoas, vestidas com roupas caracter\u00edsticas de roqueiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existia algo diferente no ar. Mary e Clark reconheciam a maioria dos moradores, o que n\u00e3o foi algo reconfortante.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Parto em casa<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podia faltar um conto envolvendo zumbis. Maddie Sillivan era uma mulher indecisa, mas tamb\u00e9m muito amorosa com o marido Jack Pace. Viviam em uma ilha. Jack era pescador e tinham uma vida tranquila, at\u00e9 sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida seguiu seu curso, Maddie gr\u00e1vida, come\u00e7ou uma nova vida sozinha e ainda de luto. Tudo mudou quando o cemit\u00e9rio da ilha, come\u00e7ou a ganhar vida. O maior problema al\u00e9m dos zumbis come\u00e7arem uma matan\u00e7a, era os moradores da ilha matar seus parentes j\u00e1 mortos.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Usando uma japona pesada com capuz e com as cal\u00e7as e as botas cheias d\u2019\u00e1gua, Jack Pace afundara como uma pedra. Eles acabaram por enterrar um caix\u00e3o vazio no pequeno cemit\u00e9rio na extremidade norte da ilha Jenny e o reverendo Johnson (em Jenny e em Alta Menor voc\u00ea tinha uma op\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 religi\u00e3o: podia ser metodista ou, se isso n\u00e3o fosse do seu agrado, podia ser metodista n\u00e3o praticante) tinha oficiado perante esse caix\u00e3o vazio como o fizera perante tantos outros. O of\u00edcio terminou e, aos 22 anos de idade, Maddie se viu vi\u00fava com um p\u00e3o no forno e ningu\u00e9m para lhe dizer onde estava a roda, muito menos quando encostar o ombro nela ou at\u00e9 onde empurr\u00e1-la.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o seria nada f\u00e1cil, mas tudo acabou se resolvendo, ou se acreditou que estava. Qual o papel de Maddie neste contexto? Quem teria que voltar a matar. Sua indecis\u00e3o para tudo iria ajudar ou piorar a situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o dicion\u00e1rio, pesadelo \u00e9 \u201csonho aflitivo que produz sensa\u00e7\u00e3o opressiva; mau sonho\u201d Quem nunca acordou tarde da noite, tendo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":208,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[22,17],"class_list":["post-207","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenha","tag-resenha","tag-stephen-king"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.1 (Yoast SEO v26.2) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Pesadelos e paisagens noturnas volume 1 - Jornalismo Bongasat<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Pesadelos e paisagens noturnas volume 1\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Segundo o dicion\u00e1rio, pesadelo \u00e9 \u201csonho aflitivo que produz sensa\u00e7\u00e3o opressiva; mau sonho\u201d Quem nunca acordou tarde da noite, tendo&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Jornalismo Bongasat\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2016-10-10T23:21:21+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2016-10-10T23:24:17+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"2592\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1456\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fernando Rhenius\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@nandorhenius\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@nandorhenius\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fernando Rhenius\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"22 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/\"},\"author\":{\"name\":\"Fernando Rhenius\",\"@id\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/#\/schema\/person\/c953468e42f57e24e8cc97ffd58e9715\"},\"headline\":\"Pesadelos e paisagens noturnas volume 1\",\"datePublished\":\"2016-10-10T23:21:21+00:00\",\"dateModified\":\"2016-10-10T23:24:17+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/\"},\"wordCount\":4430,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/2016-10-07-01.50.29.jpg\",\"keywords\":[\"Resenha\",\"Stephen King\"],\"articleSection\":[\"Resenha\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/\",\"url\":\"https:\/\/bongasat.com.br\/jornalismo\/pesadelos-e-paisagens-noturnas-volume-1\/\",\"name\":\"Pesadelos e paisagens noturnas volume 1 - 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