O que você espera do seu carro é o mesmo que espera do automobilismo?

De onde você acha que vem as inovações presentes no seu carro? (Foto: ELMS)

De onde você acha que vem as inovações presentes no seu carro? (Foto: ELMS)

O ser humano é avesso a mudanças. Quem nunca se estressou por ter que fazer um caminho diferente do habitual do que sempre faz para chegar em casa? Ou a mudança da numeração da grade de canais na lista da TV a cabo, que muda depois de dois meses recebendo avisos?

Até o famoso botão iniciar que saiu na versão 8.0 do Windows e voltou agora foi alvo de reclamações, pedições online e tudo o que é de reclamação?

Pois é, somos assim e no automobilismo a história não é diferente. Nos anos 80 quando surgiram os primeiros carros a álcool no Brasil, poucos gostaram da ideia. Lembro que meu pai teve dois, uma Panorama e uma Elba que eu carinhosamente chamava de chaleira. O motivo? A fumaceira que fazia nas manhas frias, quando custava a pegar.

Meu pai não reclamava, os carros atendiam seus anseios. Fato parecido também nos anos 80 e começo dos 90 eram a aversão a carros de 4 portas. Renegados a ser carros de taxi, poucos queria ter, desconsiderando a praticidade.

Hoje todos querem um carro flex e que tenha 4 portas. Mesmo aquela pessoa solteira que usa mais as duas portas traseiras do que o próprio porta malas. Assim é com o automobilismo.

Em 1923, Charles Faroux e Georges Durand tiveram a brilhante ideia de desenvolver uma corrida para ajudar no desenvolvimento dos carros na França. As 24 horas de Le Mans.

Desde então vários componentes oriundos das pistas foram introduzidos nos carros de série. Freios a discos, para brisas mais resistentes, pneus que duram mais e por ai vai. Hoje um consumidor não quer apenas o famoso trio (ar, vidro e direção), ele quer mais. Quer sensores por todo carro, pneus que não furam, sistemas inteligentes e controles de tração.

Aonde estas coisas são desenvolvidas? Exato. Nas pistas. Neste momento se destacam duas categorias que historicamente sempre primaram pelo desenvolvimento de novas tecnologias. O Endurance e a Fórmula 1.

A primeira vem investindo pesado em tecnologias hibridas e no consumo de combustível. Hoje protótipos como o Porsche 919 Hybrid gera aproximadamente 1000cv de potencia com um pequeno motor V4. A F1 ataca com um V6 também com um sistema híbrido.

E é ai que a coisa começa a pegar. Enquanto o WEC optou por este caminho, meio que automaticamente, pelo histórico de inovações, a F1 mais conservadora teve que se adaptar aos tempos modernos.

Todos torcem cada vez mais pelos níveis de tecnologia do WEC, mas cobram e reclamam do atual estágio da F1. Qual o problema da F1 tem um motor pequeno, mas que gera a mesma potencia de um V8 ou V10? Nenhum.

Até com o barulho dos carros a crítica “especializada” reclamou. Para muitos carros de F1 em especifico devem ser barulhentos. Eles são bem barulhentos ainda, mesmo comparados aos carros dos outros anos. São bem mais barulhentos do que a maioria dos carros de rua.

O saudosismo é outro fator da discórdia. Nunca mais veremos mecânicos sujos de graxa, motores desmontados pelos boxes e pilotos sem camisa. Aceita que doí menos. Não nego que nos anos 70 e 80 as coisas eram mais divertidas. Mas não era tanto por conta do tipo de motor.

Pistas e principalmente o regulamento é que fazem o espetáculo. Por que a categoria fica menos emocionante com um domínio da RBR ou Mercedes? Em todas as décadas tivemos equipes dominantes, pessoas reclamando e mesmo assim a coisa funcionava.

Por que a F1 não era chata na época de domínio de Senna e Piquet? Pois é. Talvez o que salve a F1, seja um choque de gestão. Regras mais abertas, pistas mais interessantes, isso independente do motor ser um V6 ou V4 ou até um 1.0.

Nunca mais teremos um V12 queimando toneladas de combustível e talvez seja isso que incomode tanto os “fãs”. Hoje a história é outra, com novas prioridades e anseios mercadológicos.

Nos resta torcer que esta crise que vem afetando a F1 um dia acabe e que não passe para outras categorias como o WEC, Fórmula E, Nascar e Indy, para citar apenas algumas.

Toda essa tecnologia está ai no seu carro. Seja ele fazendo 20 km/l, poluindo menos e principalmente fazendo menos barulho.

 

Published
2 anos ago
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Written by Fernando Rhenius
Apaixonado pelo automobilismo, seja ele real ou virtual. Me envolvi com o Endurance há muito tempo e desde 2009 tento, levar um pouco de informação e conhecimento sobre uma das principais categorias do automobilismo.