Audi supera Porsche e vence e Silverstone

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Campeões de 2012 voltam a surpreender. (Foto: Divulgação WEC)

A Audi surpreende e venceu a abertura do Mundial de Endurance 2015 no circuito de Silverstone, Inglaterra na tarde deste Domingo (12). O trio composto por Marcel Fassler, André Lotterer e Benoît Tréluyer, com um ritmo forte na segunda parte da prova superar o favoritismo da Porsche e conquistar o primeiro lugar.

Resultado da prova.

Durante os testes oficiais em Paul Ricard em Março, a Porsche surpreendeu a todos com velocidades máximas altas e tempos de volta muito abaixo dos concorrentes. Toda esta superioridade se deve ao aumento do sistema de recuperação de energia que passou de 4 MJ para 8MJ. Em tese quanto mais energia recuperada mais potencia os carros tem.

Mas durante os treinos livres para Silverstone a Audi foi detentora dos melhores tempos, mesmo a Porsche conquistando a primeira fila no treino classificatório. O Porsche #17 que fez a pole do trio Timo Bernhard, Mark Webber e Brendon Hartley conseguiu manter a ponta sendo escoltado pelo segundo carro da equipe, o #18 de Romain Dumas, Neel Jani e Marc Lieb.

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Porsche #17 dominou primeiras horas da prova mas foi traído pelo cambio. (Foto: Divulgação WEC)

Nas primeiras horas o ritmo dos carros da Porsche garantiram sua permanência nas primeiras posições sem maiores sustos ou investidas de seus adversários diretos. Pela Audi Lucas de Grassi como #8 fez um péssima largada e foi protagonista de várias manobras ariscadas e com um certo toque de amadorismo. Mesmo assim conseguiu com a ajuda dos seus companheiros Loic Duval e Oliver Jarvis um honroso quinto lugar.

Os problemas para a Porsche logo viriam. Com um problemas no cambio o #17 piloto por Mark Webber teve que abandonar com pouco mais de 2 horas de prova, botando por terra as chances de uma vitória da marca na estreia do mundial.

Nesta altura a briga entre o Audi #7 e o Porsche #18 foi um da mais espetaculares. Com um carro mais acertado para os trechos de curva  Audi não deixava o Porsche mais rápido nas retas abrir uma vantagem considerável, e a vitoria seria decidida nas estratégias de box.

A Toyota, campeã da edição 2014 do WEC, tanto de construtores quanto de pilotos não tinha um carro bom o suficiente para ganhar a prova. Esboçou alguns momentos bons com o #1 do trio Anthony Davidson, Sébastien Buemi e Kazuki Nakajima, principalmente quando seus adversários não tinham um bom rendimento mas foi só. O desempenho avassalador visto na temporada passada, não lembra nada a performance apresentada hoje em Silverstone. Mesmo assim conseguiu um terceiro e quarto lugar com o #1 e #2 respectivamente.

Na classe GTE-PRO a experiência de Gianmaria Bruni e Toni Vilander garantiu a vitória. (Foto: Divulgação WEC)

Na classe GTE-PRO a experiência de Gianmaria Bruni e Toni Vilander garantiu a vitória. (Foto: Divulgação WEC)

A vitória do Audi #7 quase foi perdida por conta de uma controversa punição nos 10 minutos finais. Segundo a direção de prova, Marcel Fassler levou vantagem durante uma disputa com o Porsche #18 e utilizou a área de escape como pista. Com uma vantagem de mais de 1 minuto para o segundo colocado o #7 entrou nos boxes para cumprir sua penalização, mas teve que repetir já que segundo a direção de prova o stop and go foi feito de forma incorreta. Assim a diferença confortável foi reduzida a pouco mais de 9 segundos.

Neel Jani tentou esboçar uma reação com um 919 mais rápido mas o tempo não foi seu companheiro. Com uma diferença de 4.6 segundos a Audi venceu, com o Porsche #18 em segundo e o Toyota #1 em terceiro. A diferença entre os três primeiros era de 14.8167, depois de 6 horas de prova.

Mesmo com um rendimento mais fraco do que seus rivais a Toyota não pode ser descartada principalmente nas duas próximas provas, SPA e Le Mans aonde as grandes retas devem favorecer o modelo Japonês.

Em quarto o Toyota #2 do trio Alex Wurz, Stéphane Sarrazin e Mike Conway, seguidos pelo Audi #8 de Lucas di Grassi, Loic Duval e Olivier Jarvis. O único carro privado da classe LMP1 o CLM P1/01-AER #7 da Team By Kolles não completou a prova. Os pilotos Simon Trummer e Vitantonio Liuzzi sofreram com um carro muitas vezes mais lento que os carros da classe LMP2. A Rebellion Racing, outra equipe privada na classe P1, só deve se apresentar em Le Mans pois trocou os antigos motores Toyota pelos mesmos AER utilizados pela By Kolles.

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Após um toque do Corvette #50 da Larbre Competition, vitória do Aston #98 foi fácil. (Foto: Divulgação WEC)

Na classe LMP2 o domínio dos Ligier JS P2 da equipe G-Drive visto nos treinos se repetiu na prova com uma vitória do #26 de Roman Rusinov, Kulien Canal e Sam Bird, com o #28 também da G-Drive chegando em segundo dos pilotos Gustavo Yacaman, Pipo Derani e Ricardo Ginzales. Nas primeiras horas o único Oreca 05 presente na prova da equipe KCMG dos pilotos Matt Howson, Richard Brandley e Nick Tandy chegou a esboçar uma reação mas acabou tendo uma parada nos boxes. Assim como na etapa do ELMS no Sábado (11) os modelos do frabricante Françes estão pagando pelo tempo de vida do projeto.

Os Ligies vencedores da prova estão a quase 1 ano na pista, enquanto o Oreca foi apresentado somente em 2015. Esta diferença de maturação do projeto é benéfica para os modelos desenvolvidos pela Onroak Automotive, pelo menos por enquanto. em terceiro na classe, o HPD #30 da equipe Extreme Speed Motorsports de Scott Sharp, Ryan Dalziel e David Heinemeier. Com um carro pouco competitivo a equipe americana não tinha muio o que fazer a não ser acompanhar a prova. O segundo carro da equipe o #31 acabou na 26º colocação no geral.

Em quarto na classe o Dome S103-Nissan da equipe Strakka Racing que também foi apresentado com um ano de atraso, mas que encarou a prova sem maiores problemas, faltando apenas ritmo de corrida. O projeto desenvolvido do fabricante Japonês em parceria com a equipe Strakka, que vai administrar a venda dos modelos S103 para futuras equipes de clientes, sofreu um enorme atraso devido a problemas com a escolha de motores e no final de 2014 com o encosto da cabeça do piloto. O Oreca da KCMG, terminou na quinta posição na classe e em 20º no geral.


Na classe GTE-PRO a superioridade da Aston Martin que no treino classificatório conseguiu as três primeiras posições na classe, não se refletiu na prova. Com um ritmo melhor a equipe AF Corse levou a vitória com o #51 da dupla GianMaria Bruni e Toni Vilander, que travou uma boa disputa com o Porsche #91 de Richard Lietz e Michael Christensen. Em terceiro a segunda Ferrari da AF Corse #71 de Davide Rigon e James Calado. O brasileiro Fernando Rees que pilota o Aston Martin #99 ficou com a quinta posição na classe.

Corvette perdeu a chance de vencer na classe GTE-AM. (Foto: Divulgação WEC)

Corvette perdeu a chance de vencer na classe GTE-AM. (Foto: Divulgação WEC)

Já a classe GTE-AM viu o Corvette #50 da equipe Larbre Competition ter sua liderança tranquila ir por terra após um toque do Audi #7. O carro acabou voltando lentamente para os boxes mas na volta a pista não obteve o desempenho de antes. Assim a vitória ficou com os pilotos do Aston Martin #98 de Paul Dalla Lana, Mathias Lauda e Pedro Lamy. Em segundo e terceiro na classe as Ferrari #83 e #72 respectivamente.

A próxima etapa do Mundial de Endurance será nos dias 1 e 2 de Maio em SPA.

Redução de custos também para a classe LMP1.

Após anunciar que as novas regras da classe LMP2 foram adiadas para Le Mans em Julho, a direção do WEC divulgou uma nota aonde em conjunto com os fabricantes da classe LMP1, estuda uma redução dos custos para a classe.

“Há um grupo de trabalho para reduzir os custos”, disse o presidente da ACO Pierre Fillon disse. “Montamos um grupo de trabalho a um anos com os fabricantes,sobre como podemos reduzir os custos. Neste final de semana em Silverstone o grupo nos apresentou alguns projetos.” Disse.

As mudanças propostas apontam uma redução para 10 dias de testes privados, 20 dias para um novo fabricante. Dias adicionais serão permitidos desde que compartilhados com outras equipes. A quantidade de motores também será limitada. Serão 5 propulsores por temporada, e sete para novos fabricantes caso da Nissan, que ainda não estreou no mundial.

A quantidade de pneus também foi apresentada. Serão seis conjuntos para as provas de 6 horas, quatro conjuntos para os treinos e no máximo de 65 mecânicos presentes para uma equipe de 2 carros nas 24 horas de Le Mans.

Para o chefe da Audi, Chris Reinke as mudanças são bem vindas. “Seguido de longas discussões,chegamos a um consenso”, disse. “Do ponto de vista do orçamento, elas tem uma influência positiva e nós apreciamos isso.” Finalizou. Ainda segundo Reinke os custos da equipe após Le Mans serão reduzidos para conseguirem completar o campeonato.

Já a Toyota por meio de Pascal Vasselon, foi a primeira equipe a cobrar reduções de custos na categoria. “Isto é muito importante para nós”, disse Vasselon. “Nós realmente lutamos para isso.” A nova regra de apenas 5 motores por temporada não irã influenciar pelo menos por enquanto o cronograma e planos da Toyota. “Pode ser difícil em algum momento, mas isso não muda nada para nós, porque no ano passado nós não utilizamos mais de cinco motores.” disse ele. “Uma das grandes coisas este ano é que os regulamentos estão estáveis.”

As medidas adicionais de redução de custos estão em fase de planejamento para o próximo ano, de acordo com Fillon, inclusive a limitação de tempo em  testes de túnel de vento e outras iniciativas relacionadas com a aerodinâmica. “Houve uma reunião em Paul Ricard, por isso vamos ter que esperar por uma decisão final”, disse Fillon. “Mas há outras áreas que estamos trabalhando. Existe um projeto de limitação em testes de  túnel de vento.” Atualmente as equipes da classe LMP1 tem um orçamento de pouco mais de 200 milhões de dólares por temporada.

Written by Fernando Rhenius
Apaixonado pelo automobilismo, seja ele real ou virtual. Me envolvi com o Endurance há muito tempo e desde 2009 tento, levar um pouco de informação e conhecimento sobre uma das principais categorias do automobilismo.

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